Translate

Mostrando postagens com marcador Costumes. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Costumes. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 24 de outubro de 2019

Egípcios caçavam crocodilos só para transformá-los em múmias

(The Washington Post/Getty Images) 


Texto adaptado do original de Ingrid Luisa, para a Super.

Para os egípcios, muitos animais representavam intermediários entre mortais e deuses, ou até mesmo encarnações de diferentes deidades. Por isso mumificá-los e guardar essas espécies nos túmulos era algo muito valorizado. 

Em um dado momento, o embalsamamento de bichos acabou virando uma “indústria” no Egito Antigo. Como não dava pra sempre esperar uma morte natural do bicho para produzir uma múmia dele, o jeito era garantir um suprimento constante. 

Surgiram, então, os fabricantes de espécies embalsamadas. Eles contavam com uma série de estratégias de obtenção – desde recuperação de carcaças de animais selvagens até a criação de animais com o único objetivo de garantir múmias no futuro.

Agora, cientistas da Universidade Paul Valéry, de Montpellier, na França, atestaram que também havia uma outra opção, um pouco mais cruel: a caça. Egípcios matavam animais selvagens em seu habitat natural só para mumificar. De acordo com os pesquisadores, essa é a primeira evidência concreta da caça de animais com esse fim.

O grupo chegou a essa conclusão a partir de uma “autópsia virtual” em uma múmia de crocodilo com cerca de 2.000 anos. A peça foi descoberta por arqueólogos que escavaram a cidade de Kom Ombo, no Egito, no início do século 20.

No estudo, os autores relatam ter se surpreendido ao encontrar uma lesão grave na cabeça do réptil. “A causa mais provável de morte é uma séria fratura no crânio que causou um trauma direto no cérebro”, escrevem. “O tamanho da fratura, bem como sua direção e forma, sugerem que ela foi feita por um único golpe, provavelmente com um grosso taco de madeira”.

Hoje, o tal crocodilo é uma das 2.500 múmias de animais expostas no Museu das Confluências, em Lyon, na França. Com base nos resultados da nova análise, o animal, um crocodilo macho com cerca de um metro e meio de comprimento, tinha de 3 a 4 anos de idade no momento em que foi sacrificado. Segundo as crenças egípcias, os crocodilos estavam associados a Sobek, deus da fertilidade que tinha cabeça de um réptil e corpo de homem.

O estudo foi publicado na revista científica Journal of Archaeological Science.

Fonte:
https://super.abril.com.br/historia/egipcios-cacavam-crocodilos-so-para-transforma-los-em-mumias/



terça-feira, 6 de agosto de 2019

Pesquisadores percorrerão rota do Antigo Egito em embarcação da época

Missão está programada para atravessar 1300 quilômetros entre costa da Bulgária e ilha de Creta (Foto: Facebook Mission ABORA)Missão está programada para atravessar 1300 quilômetros entre a costa da Bulgária e a ilha de Creta.(FOTO: FACEBOOK MISSION ABORA).
Diversos historiadores afirmam que os antigos egípcios navegavam rotineiramente até o Mar Negro e a costa dos Bálcãs para obter recursos não encontrados ao longo do Rio Nilo. No entanto, sempre se duvidou que essa jornada seria possível à época — e é pensando nisso que um grupo de aventureiros vai tentar refazer a rota em uma embarcação à moda antiga.
A missão ABORA IV está programada para atravessar os mais de 1.300 quilômetros que dividem a costa da Bulgária da ilha grega de Creta. Os viajantes planejam passar pelo Mar Negro, atravessando o Estreito de Bósforo e o Mar Egeu.
A embarcação de 14 metros foi construída com vigas de madeira de abeto e 12 toneladas de juncos. A ideia do grupo era construir um barco não muito diferente daqueles que eram usados ​do fim do período Neolítico até a Idade do Bronze. "A questão principal é se esse barco é capaz de cruzar as difíceis plataformas [continentais] do mar Egeu", disse Dominique Goerlitz, líder da expedição, à AFP.
Esta é a quarta vez que o grupo de aventureiros faz uma viagem do tipo. (FOTO: FACEBOOK MISSION ABORA)
Contudo, a navegação em si não será inspirada nos ancestrais: a tripulação da Goerlitz terá equipamentos modernos de comunicação via satélite e rádio a bordo para se comunicar com navios cargueiros que podem estar no meio do caminho. "Claro, seria totalmente arrogante e estúpido não usar equipamentos modernos. É uma experiência de ciência e não de risco", disse ele.
A missão está prevista para zarpar na segunda semana de agosto.
Em Nova York, grupo testa embarcação semelhante à que será usada na missão. (FOTO: MISSION ABORA) 
Retirado na íntegra de: 




quinta-feira, 13 de junho de 2019

Cerveja atual feita com fermento de 5.000 anos do antigo Egito

Se você acha que a cerveja de um bar local está um pouco rançosa, pense nos pesquisadores que prepararam uma cerveja com levedura estimada em 5.000 anos de idade.

O fermento foi arrancado da cerâmica usada para produzir cerveja nos tempos antigos, extraída dos nanoporos da argila e convertida em bebida alcoólica com a ajuda de microbiologistas, arqueólogos e especialistas em vinícolas. O resultado final é ostensivamente cerveja que teria sido semelhante àqueles bêbados na época dos faraós.

A equipe acredita que é a primeira vez que a levedura antiga original foi preservada e desenvolvida para fabricar cerveja nova - neste caso, uma fermentação de 6% semelhante a uma cerveja de trigo, e um hidromel de 14%. Anteriormente, uma cepa geneticamente modificada de trigo com 10.000 anos de idade também era usada para fabricar cerveja.

"Este fermento antigo nos permitiu criar cerveja que nos permite conhecer o sabor da antiga cerveja filistéia e egípcia. A propósito, a cerveja não é ruim", disse um dos microbiologistas Ronen Hazan, da Universidade Hebraica de Jerusalém, em Israel.

Um dos potes de que a cerveja foi produzida. (Yaniv Berman / Autoridade de Antiguidades de Israel)

É claro que 5.000 anos é muito tempo para a levedura sobreviver em um nanopore - a equipe esclarece que esses são os descendentes diretos da levedura encontrada no vaso, fazendo com que a levedura tenha 5 mil anos de idade.

Para garantir que eles não os confundissem com qualquer levedura no ambiente, os pesquisadores também testaram outros 27 vasos que não eram usados ​​para álcool e 53 outras amostras ao redor do local da escavação, e não encontraram o fermento nanoporo específico em nenhum lugar. 

A cerveja era imensamente importante e regularmente absorvida em culturas antigas - bebidas alcoólicas como cerveja e vinho eram consideradas mais seguras para beber do que a água por causa do processo de fermentação, e também estavam ligadas a práticas religiosas e curas de saúde.

Este fermento em particular veio de cerâmica escavada em quatro locais diferentes em Israel, com o mais antigo estimado em cerca de 3.000 a.C. Com base no sequenciamento de genes, a levedura parece similar àquelas usadas nas cervejas africanas tradicionais e à levedura de cerveja moderna.

"Eu me lembro disso quando tiramos a cerveja pela primeira vez e nos sentamos em volta da mesa e bebemos", disse à AFP um dos pesquisadores, o arqueólogo Aren Maeir, da Universidade Bar-Ilan, em Israel.

"E eu disse que ou seremos bons ou estaremos todos mortos em cinco minutos. Vivemos para contar a história."

Os pesquisadores provaram sua cerveja. (Yaniv Berman, Autoridade de Antiguidades de Israel)

Os pesquisadores chegaram a sugerir que poderiam tentar vendê-la um dia, se você quiser beber como os faraós. A bebida foi bem recebida pelos provadores do International Beer Judge Certification Program.

A bebida não tem o mesmo sabor que teria nos tempos antigos: apenas algumas das antigas cepas de levedura foram extraídas, e os ingredientes e técnicas modernos foram usados ​​para processá-la.

Além do burburinho de beber cerveja de 5.000 anos de idade, há uma descoberta científica mais profunda aqui: o estudo mostra que é possível isolar e analisar microorganismos (neste caso, levedura) de cerâmica antiga. Até agora, a análise de organismos mais antiga dependia de estudos de DNA.

Quando se trata de recriar o passado e entender como nossos antigos ancestrais viveram suas vidas - cerveja e tudo mais - isso é um desenvolvimento importante.

"Além do truque de beber cerveja desde a época do rei Faraó, essa pesquisa é extremamente importante para o campo da arqueologia experimental - um campo que busca reconstruir o passado", diz Hazan.

"Nossa pesquisa oferece novas ferramentas para examinar métodos antigos e nos permite provar os sabores do passado."

A pesquisa foi publicada em mBio.

Fonte:
https://www.sciencealert.com/yeast-from-a-5-000-year-old-pot-was-woken-up-and-used-to-brew-an-ancient-beer?fbclid=IwAR0L5YYIOXHzKZudzCvMHZ-_jIN8oMF7HMH1tYeVbyc6BihNOfvNImohgXY

quarta-feira, 24 de abril de 2019

Descoberta de um grande túmulo de pedra em Tebas

O exterior do grande túmulo da rocha. Reuters

Uma enorme tumba estava escondida a poucos passos da rota normal de visita que os turistas fazem todos os dias, escondida por centenas de metros cúbicos de detritos de um par de séculos de escavações arqueológicas na área.
Ao norte do enterro de Roy (TT255), que pode ser visitado na necrópole de Dra Abu el Naga, foi identificado e escavado por uma missão egípcia dirigida por Mostafa Waziri, o maior "túmulo do saff" conhecido de Tebas Ocidental. A estrutura consiste em um vasto pátio aberto no qual se abre uma fachada monumental de 55 metros, com 18 entradas intercaladas com pilares.

Aqui Djehutyshedsu foi enterrado, cujo nome e numerosos títulos - "príncipe", "prefeito", "Portador dos selos do Rei do Alto e do Baixo Egito" - podem ser lidos nas faces pintadas dos pilares e em alguns dos mais de 50 cones funerários encontrados .

Nos cantos norte e sul, dois poços de 11 metros de profundidade datam, segundo a egiptóloga Friederike Kampp, uma das maiores especialistas da necrópole tebana, da XVII dinastia (16650-1550 aC), embora usada até o reinado de Hatshepsut (1479- 1458) no início da XVIII dinastia.

Na tumba, as paredes são decoradas com cenas rituais do falecido na presença dos deuses e atividades diárias, como caçar, pescar e fazer barcos de papiro. O kit fúnebre inclui vasos, dezenas de ushabti de madeira ou faiança, estatuetas de madeira, uma máscara de cartonagem, tampas de calcário canópico e um raro papiro intacto, escrito em hierático e ainda envolto em linho. Uma moeda de bronze da época de Ptolomeu II (285-246) evidentemente atesta uma participação mais recente.

Ao redor da quadra, como frequentemente acontece, há 6 tumbas menores ainda a serem investigadas.

Não muito longe, na necrópole de Abd el-Qurna, outros dois túmulos foram anunciados pelo Ministério das Antiguidades. Datando da 19ª dinastia (1291-1185), eles pertencem a dois oficiais chamados Akhmenu e Meryra. Pouco se sabe sobre o primeiro, enquanto um esplêndido sarcófago policromado foi encontrado no segundo.

Fonte:
http://www.nationalgeographic.it/wallpaper/2019/04/22/foto/tebe_ovest_grande_tomba_rupestre_djehutyshedsu_funzionario-4378763/?fbclid=IwAR3aC6Uxx8tdTSpfnFj23RscW4VsDT2QlGfsQSzyjm_hyyUfJcJ4Z2jEbOo&refresh_ce

terça-feira, 23 de abril de 2019

Tratado médico do antigo Egito revela conhecimentos de 3600 anos


"Papiro de Edwin Smith" é o mais antigo tratado médico do mundo, que remonta ao Segundo Período do Egito Antigo, ou seja, por volta de 1600 a.C. - mais de mil anos antes do nascimento do médico grego Hipócrates. Seu nome é uma homenagem ao colecionador de antiguidades Edwin Smith, que o comprou em 1862 na cidade de Luxor, ao sul do Egito. Em 1906, com a morte de Smith, o documento foi entregue à Sociedade Histórica de Nova York, e apenas em 1920 o egiptólogo estadunidense James Henry Breasted conseguiu traduzi-lo, ficando provavelmente entusiasmado por perceber que tinha em suas mãos um antigo livro de medicina.

No papiro foram usadas as tinhas preta e vermelha para separar o corpo principal do texto dos glossários explicativos. Breasted acreditava que os glossários em vermelho (69 deles no total) foram adicionados alguns séculos após o texto original ter sido escrito, registrando também que o escriba (cujo nome não foi preservado) cometeu muitos erros ao redigir os textos, alguns dos quais foram corrigidos nas margens.

Papiro em livro publicado por Breasted / Créditos: Reprodução

De acordo com o arqueólogo Breasted, os papiros contêm um total de 48 casos médicos organizados sistematicamente. Os exemplos se iniciam com tratamentos para lesões na cabeça, se estendendo pelo corpo com fraturas na coluna vertebral e no tórax. Pelo fato de o documento estar incompleto, os tratamentos para lesões na parte inferior do corpo não foram registrados.

As instruções do papiro se organizam de forma sistemática, iniciando com um "Título introdutório" seguido pela seção "Sintomas significativos" -- que fornece um exame detalhado sobre o dano sofrido. Por fim há a seção "Diagnóstico", na qual se coloca um veredicto sobre a possibilidade de tratamento: favorável, incerto ou desfavorável.

Página do papiro / Créditos: Reprodução

Alguns exemplos de ferimentos encontrados no papiro de Edwin Smith incluem lesões no crânio, como por exemplo "uma ferida na cabeça que penetra no osso do crânio"(Caso 1) e "uma fratura craniana sob a pele da cabeça" (Caso 8). Também se encontram tratamentos para lesões faciais, como "um golpe na narina" (Caso 13) e "fratura na bochecha" (Caso 16) e lesões no tronco, como "uma ferida no peito" (Caso 40) e "uma luxação das costelas do tórax" (Caso 43). Com base na natureza dessas lesões, pesquisadores têm sugerido que este tratado médico lida com um grupo específico de pacientes: soldados e trabalhadores de construções que se feriram durante o expediente.

Finalmente, deve-se notar que o papiro de Edwin Smith demonstra a abordagem altamente metódica e racional adotada pelos antigos egípcios para lidar com tais ferimentos. Por exemplo, os tratamentos incluem o fechamento de feridas com suturas, bandagens, talas, cataplasmas, prevenção de infecções com mel e a imobilização do corpo, no caso de lesões na coluna vertebral. Além do procedimento passo-a-passo usado em cada caso, também é notável o fato de que usa-se a magia apenas em um dos 48 casos preservados no texto.

Texto adaptado do original de Joseane Pereira, que você pode conferir em:

Refutado mito sobre as profissões femininas no antigo Egito

Uma equipe de cientistas acaba de fazer uma descoberta que pode mudar a opinião dos historiadores sobre as profissões praticadas pelas mulheres no antigo Egito.

Depois de analisarem os dentes de uma mulher egípcia com mais de 50 anos, cientistas da Universidade de Alberta, no Canadá, concluíram que a mulher se dedicava a uma profissão tradicionalmente masculina: artesanato em papiro. Até então, cientistas e historiadores acreditavam que este eram um ofício vetado às mulheres da época.

De acordo com a nova investigação, cujos resultados foram esta semana publicados na revista científica Science, os cientistas analisaram os dentes com mais de 4.000 anos (2181 – 2055 a.C.) e encontraram sinais de desgaste em 16 dos seus 24 dentes.

Nos dois incisivos do maxilar superior foram encontrados vestígios de destruição na forma de uma cunha, enquanto nos outros 14 foram encontrados sinais de abrasão. Este tipo de desgaste, observa o portal de Science Alert, era característico dos artesãos, que utilizavam os dentes para morder o papiro.

Segundo escrevem os cientistas na publicação, a mulher egípcia usava este material vegetal para fazer caixas e cestas, bem como sandálias, cortinas e tapetes.

Dois dos dentes analisados, Lovell & Palichuk, Bioarchaeology of Marginalized People, 2019

Até então, acreditava-se que as mulheres do antigo Egito só poderiam dedicar-se a seteprofissões, de acordo com as inscrições e imagens nas paredes dos túmulos: sacerdotisas, cantoras, músicas, dançarinas, enlutadas [pessoa que está de luto], parteiras e tecelãs.

Os restos analisado, escavados na década de 1970, foram encontrado numa necrópole em Menfis, primeira capital do antigo Egito.
Fonte:

quarta-feira, 27 de março de 2019

Chitas foram domesticados no antigo Egito


A reverência que os antigos egípcios tinham pelos felinos é bem conhecida. 

Embora os gatos não fossem, em si e por si mesmos, considerados divinos, eram considerados representantes físicos das divindades felinas, e ferir ou matar um deles era uma tentativa de prejudicar um deus.


Um hieróglifo de Deir el-Bahari representando guepardos guiados ("panteras").

A deusa Bastet é a representação felina de uma divindade egípcia muito adorada, geralmente representada por um gato. Mas há também a deusa Sekhmet, a deusa leoa que era guerreira e curandeira.

Antes das principais deusas, havia Mafdet, que talvez fosse a primeira das deusas felinas. Mafdet era a deusa da justiça legal, que também era protetora contra escorpiões e cobras. Um vaso de pedra foi encontrado em um túmulo em Abidos, mostrando uma representação de Mafdet como um grande felino, provavelmente um chita.

Com todos esses felinos divinos, não é surpresa que os antigos egípcios fossem obcecados por gatos e muitos os mantivessem como animais de estimação, mesmo os grandes. A realeza egípcia e outros tipos da alta sociedade da época mantinham grandes felinos, como leões ou guepardos do Sudão, como animais domésticos.

As chitas provavelmente seriam muito mais adequadas a uma vida em recinto fechado do que os leões, já que uma chita adulta seria do tamanho de um cão de tamanho médio dos padrões de hoje.

As chitas não tinham medo dos humanos, o que, sem dúvida, tornava mais fácil capturá-las, e havia um comércio real envolvido em aprisionar, domesticar e treinar os grandes felinos.


Carruagem egípcia, acompanhada por uma chita e escravo.


Os egípcios domavam e treinavam chitas para caçar, além de mantê-las como animais de estimação exóticos.

Semelhante aos falcões, os felinos eram mantidos com os olhos vendados no campo, até que fossem liberados, em seguida, eram soltos para executar a presa. 

As chitas são os animais terrestres mais rápidos do mundo. Sua velocidade, combinada com sua excelente visão diurna, as tornavam extremamente adequadas para o trabalho, e o estilo de caça não sobrecarregava a energia delas.

Dada a despesa e dificuldade relativa de encontrar e domesticar as chitas adultas, a caça com elas era um esporte reservado para os ricos e para a realeza.

Texto adaptado ao original de Ian Harvey.

Fonte:

quinta-feira, 14 de março de 2019

Contas de jóias egípcias de 3.400 anos foram encontradas em túmulos antigos da Dinamarca

Uma elaborada conta de vidro com incorporação de âmbar, encontrada em um túmulo dinamarquês de 3.400 anos, é proveniente do Antigo Egito. Crédito: Roberto Fortuna e Kira Ursem.


Impressionantes contas de vidro encontradas em túmulos dinamarqueses da Idade do Bronze, datados de 3.400 anos atrás, provêm do Antigo Egito - na verdade, da oficina que fez as contas azuis que foram enterradas com o famoso rei-menino Tutancâmon. A descoberta prova que existiam rotas comerciais estabelecidas entre essas regiões, no início do século XIII a.C.

Vinte e três das contas de vidro encontradas nos túmulos dinamarqueses da Idade do Bronze pela equipe de arqueólogos dinamarqueses e franceses eram azuis, uma cor rara nos tempos antigos.

“Lapis lazuli era a pedra mais preciosa da Idade do Bronze Nórdico. O vidro azul era a melhor coisa a seguir" de acordo com Jeanette Varberg ao Haaretz, que é associada à pesquisa. "No norte, deve ter sido quase mágico. Um pedaço do céu. ".

As contas azuis não são a única evidência do comércio entre a Dinamarca antiga e a região. No total, 271 contas de vidro foram encontradas em 51 locais de túmulos na Dinamarca, a maioria dos quais originários de Nippur, na Mesopotâmia, cerca de 50 km a sudeste da atual Bagdá no Iraque.

Enterrado com miçangas

Uma das contas de vidro azuis foi encontrada em uma mulher da Idade do Bronze enterrada em Olby, na Dinamarca, em um caixão de carvalho coberto por um disco solar, uma saia de corda decorada com pequenos tubos de bronze (uma decoração nas cordas, colocada no frente da saia), e um bracelete no alto feito de contas de âmbar.
Outra conta azul foi encontrada em um colar junto com quatro pedaços de âmbar, no enterro de outra mulher.

Uma das contas de vidro azuis foi encontrada com uma mulher da Idade do Bronze enterrada em Olby, na Dinamarca, em um caixão de carvalho oco. Crédito: Roberto Fortuna e Kira Ulsem.


As 23 contas de vidro azuis foram analisadas por espectrometria de plasma, técnica que permite a comparação de oligoelementos nas contas sem destruí-las.

A análise mostrou que as contas azuis enterradas com as mulheres resultaram da mesma oficina de vidro em Amarna que adornou o rei Tutancâmon em seu funeral em 1323 a.C. A máscara da morte do Rei Tut, de ouro, contém listras de vidro azul no ornamento de cabeça, bem como na incrustação de sua barba falsa.

Contas de vidro eram um adorno de luxo no antigo Egito. Eles não eram especialmente prevalentes, exceto nos túmulos da elite, onde a seleção era uma escolha, mas limitada em quantidade. Pode parecer inexplicável como contas de cobalto que serviam para reis poderiam acabar em enterros nórdicos. Mas Kaul Flemming e Jeanette Varberg especulam que as duas terras antigas trocavam as contas de vidro de luxo pelo âmbar.

"A Dinamarca é rica em âmbar e era o principal item de troca do norte", disse Varberg. O âmbar, que é uma resina de árvore fossilizada, foi levada para as margens do Mar Báltico.

O âmbar, que é uma resina de árvore fossilizada, foi associado ao deus-sol - tanto no antigo Egito quanto nas áreas nórdicas, parece. Crédito: Moshe Gilad.


As contas de vidro egípcias e mesopotâmicas encontradas nos túmulos na Dinamarca indicam que o comércio já foi estabelecido há 3.000 anos e, inversamente, o âmbar nórdico foi encontrado tão ao sul como em Micenas, na Grécia e em Qatna, perto de Homs na Síria.

Juntamente com outros achados como o cobre cipriota encontrado na Suécia, surge a imagem de um elaborado sistema de comércio. Além disso, contas de âmbar nórdico, assim como contas feitas de vidro egípcio e lingotes de cobre, faziam parte da preciosa carga do navio naufragado em Uluburun, fora da costa da Turquia.

“As contas de vidro percorriam as mesmas estradas que o âmbar. O vidro veio da Mesopotâmia e do Egito para o norte, enquanto o âmbar veio do norte e atingiu a parte mais distante do Mediterrâneo e até mesmo além”, disse Kaul Flemming ao Haaretz.

No entanto, a troca de vidro quase acaba por volta de 1177 a.C. - provavelmente devido a ataques dos povos do mar.

“Os sistemas de comércio no Mediterrâneo Oriental parecem ter desmoronado por volta de 1200 a.C., o que deve ter sido causado por tempos conturbados, talvez guerra e conflitos, e o surgimento dos povos do mar. Este colapso também pode ser observado nos enterros nórdicos. Poucas contas de vidro parecem ter chegado ao norte ”, disse Flemming, acrescentando:“ No entanto, um fenômeno interessante ocorreu ao mesmo tempo na Itália. No Vale do Pó surgiram novas oficinas, onde transformaram o vidro em contas de vidro. Há também grandes oficinas onde eles processaram âmbar nórdico de grumos naturais em pedras acabadas”.

As mulheres enterradas na antiga Dinamarca foram enterradas com jóias, como este colar de vidro azul. Crédito: Roberto Fortuna e Kira Ulsem.

Adoração ao Sol era uma questão global

Os pesquisadores dinamarqueses acreditam que as contas de vidro azuis depositadas nos túmulos tinham significado religioso. Além disso, o vidro e o âmbar parecem estar intimamente ligados, tanto no norte quanto no sul. “As contas de vidro e âmbar foram encontradas juntas, parte do mesmo ornamento, como parte de um colar ou no braço esquerdo”, diz Flemming.

A justaposição do vidro e do âmbar não era coincidência, acreditam os arqueólogos. Valores sociais específicos teriam sido transmitidos ao usar as duas substâncias juntas: eram pessoas nos mais altos níveis da sociedade que controlavam a coleta e a distribuição de âmbar, se beneficiavam de sua exportação e quem recebia as valiosas e exóticas contas de vidro.

Além do sinal social, Varberg e Flemming acreditam que as contas de vidro e âmbar podem ter valores simbólicos ou mágicos compartilhados, o que tornou benéfico o seu transporte conjunto.

O âmbar dourado translúcido provavelmente teria transmitido o simbolismo solar.
Segundo a mitologia grega e lenda, âmbar era as lágrimas das filhas do deus do sol Helios. Ou, de acordo com o autor grego Apolônio de Rodes, âmbar eram as lágrimas derramadas pelo deus sol Apolo quando ele estava visitando a terra dos hiperbóreos (antigos escandinavos) e ouviram falar da morte de seu filho.

Geralmente, a cor azul estava associada aos céus e à água, mar, lagos e rios. No antigo Egito, o azul era mais especificamente associado com a vida e o renascimento, e representava (a fertilidade) o Nilo, os céus e também as águas primordiais das quais o sol, Ra, nasceu ou foi criado. Assim, no Egito, a cor azul estava relacionada aos mitos da criação, bem como ao renascimento do sol todas as manhãs.

"Se nos permitirmos considerar tais propriedades mágicas mitológicas e conectadas ao vidro e ao âmbar na Idade do Bronze do Norte, então não deve ser difícil reconhecer os valores mágicos desses materiais sendo reforçados quando carregados juntos, diz Flemming e acrescenta: "De um modo misterioso, a cor do âmbar e a cor do vidro podem ter - quando trabalhado em conjunto - uma espécie de narrativa do mito relacionada à eterna viagem do sol: Nos céus, no submundo, profundezas das águas. incluindo o mar.”.

"O culto do sol na era do bronze nórdico tem semelhança com a religião egípcia", conclui Varberg. "E sim, vejo uma clara evidência de idéias viajando pelas mesmas rotas de troca de âmbar e vidro.".

Contas de vidro importadas do Egito e da Mesopotâmia também foram encontradas em Israel. Roni Hoofien, da Universidade de Tel Aviv, está construindo um novo sistema tipológico e traçando técnicas de fabricação e proveniência de matérias-primas usando as contas de Tel-Azeca, na Shepelah da Judéia. "Devido à proximidade de Tel Azekah ao Egito, acreditamos que as contas de vidro foram importadas do Egito", disse ela.


Uma conta de vidro encontrada em um túmulo dinamarquês de 3400 anos acaba por ter vindo do antigo Egito.Roberto Fortuna e Kira Ursem

Texto de Phelippe Bohstrom para o Haaretz.

Fonte:

segunda-feira, 3 de dezembro de 2018

As práticas médicas do Egito Antigo que são usadas até hoje

GETTY IMAGES. No Egito antigo, a medicina e a magia se misturavam em um conjunto de práticas.

A medicina no Egito Antigo estava inevitavelmente misturada com a magia. Na época, não havia uma linha clara que demarcasse os limites entre a ciência e a religião.

Com frequência, acreditava-se que as doenças haviam sido enviadas pelos deuses como uma espécie de castigo ou que eram espíritos maus que estavam no corpo da pessoa e tinham de ser expulsos por meio de rituais, feitiços e amuletos.

Mas tudo isso era conjugado com uma medicina bastante prática - e alguns dos métodos utilizados na época sobreviveram ao passar do tempo.

Ainda que suspeite-se que muito conhecimento tenha se perdido com infortúnios como o desaparecimento da Biblioteca Real de Alexandria, sabe-se que a rica cultura egípcia, que floresceu por mais de 3 mil anos antes de Cristo, era muito avançada.

Ainda assim, não deixa de ser surpreendente o que sabiam no campo da Medicina, como por exemplo:


Cirurgia

GETTY IMAGES. Mumificação permitiu aos egípcios antigos conhecerem a anatomia humana.

Os egípcios antigos aprenderam muito sobre a anatomia humana graças à tradição de mumificação. Ao preparar os mortos para sua viagem rumo ao além, podiam analisar as partes do corpo e associá-las com as doenças que a pessoa havia contraído em vida.

Isso permitiu que entendessem o suficiente do assunto para fazer cirurgias, sinais das quais podem ser encontrados nas múmias, desde a perfuração de crânios até a remoção de tumores.


Tratamentos dentários

GETTY IMAGES. Hesire, um alto funcionário do rei Djoser, era o chefe de dentistas e médicos em 2700 a.C.

Por mais que se esforçassem em limpar e moer bem os grãos para fazer farinha, restavam pequenos pedaços de pedras na comida, assim como um pouco de areia do deserto. Isso desgastava os dentes e podia levar ao surgimento de buracos e infecções.

No Papiro Ebers, um dos tratados médicos mais antigos conhecidos, há várias receitas de preenchimentos e bálsamos. Uma delas descreve como tratar um "dente que coça até a abertura da pele": uma parte de cominho, outra de resina de incenso e uma de fruta.

Algumas receitas incluíam mel, que é antiséptico. Em outros casos, simplesmente tapavam os buracos com linho.


Próteses

JON BODSWORTH. Próteses eram úteis tanto para os vivos quanto para os mortos

Os egípcios antigos precisavam de próteses tanto para os vivos quanto para os mortos - e talvez fossem até mais importantes para os mortos. Acreditava-se que, para enviar o corpo para o além, este deveria estar inteiro, daí a importância da mumificação e de completar o que faltasse antes da viagem final.

Mas também serviam para as pessoas vivas. A prótese de dedo na foto acima foi usada por uma mulher e é a mais antiga conhecida.


Circuncisão

GETTY IMAGES. Aparentemente, a circuncisão era feita quando o menino entrava na idade do 'uso da razão' (entre 8 e 11 anos).

A circuncisão é praticada ao longo da história por várias sociedades por razões médicas e/ou religiosas. No Egito Antigo, era bastante comum, tanto que o pênis não circuncidado era visto como algo curioso.

Há escritos descrevendo a fascinação dos soldados egípcios com os pênis dos povos líbios que haviam conquistado. Eles contam, com frequência, que essas pessoas eram levadas para casa pelos egípcios para que seus conhecidos pudessem ver suas partes íntimas.


Sistema médico controlado pelo governo

GETTY IMAGES. Manuais médicos registravam doenças e tratamentos.

O acesso ao cuidado médico era controlado de perto pelo governo no Egito Antigo. Havia institutos que treinavam os médicos, que eram educados segundo um currículo específico. Esses locais também recebiam pacientes e os tratavam.

Haviam manuais médicos, como o já mencionado Papiro Ebers, no quais eram registrados doenças e tratamentos. Além disso, há descrições de acampamentos médicos instalados próximos de canteiros de obras para atender os operários que sofriam acidentes.

Ainda há indícios de que, se o acidente ocorria no trabalho e a pessoa não podia trabalhar por causa disso, o operário recebia um pagamento durante o período de enfermidade.


Fonte:
https://www.bbc.com/portuguese/geral-40634202?fbclid=IwAR2tN7cDhnqTA3W5XbgaZ9txJSAegncUDqowi-6NzDOV1qpMbPvsCmybt2A

quinta-feira, 21 de junho de 2018

Morte e vida após a morte em antigas crenças egípcias - a morte como transição para outra realidade

Ao longo de sua história, os antigos egípcios acreditavam na vida após a morte, no julgamento por Osíris, o deus da vida após a morte, do submundo e dos mortos. Era importante preparar os corpos para a existência eterna em alegria e felicidade.



Numerosos túmulos de vários estilos e datas contendo corpos cuidadosamente preparados e uma variedade de bens funerários revelam uma antiga crença egípcia na vida após a morte, que não era o fim da vida, mas apenas uma transição para outra realidade.

Para muitos egípcios, a vida eterna consistia em viajar junto com o sol durante o dia e retornar à tumba bem abastecida à noite. Para tornar isso possível, era importante fazer embalsamamento, mumificação, construir túmulos e realizar outros rituais para ajudar a experiência da paz eterna.

Havia também a forte crença no bem e no mal, por isso era necessário fazer o bem durante a sua estadia na terra. Boas ações incluíam, por exemplo, prestar homenagem aos deuses durante e depois de sua vida na terra. As ações seriam avaliadas mais tarde quando a alma estivesse diante da corte dos deuses que decidiriam sobre o destino dos mortos.

"Casa da Eternidade" para pessoas ricas e poços comuns para os pobres

As pessoas ricas e de baixa classe procuravam adquirir um sarcófago no caminho para a vida após a morte. No entanto, no caso de pessoas pobres, não era fácil.


Muitas vezes feitas de pedra, as sepulturas egípcias eram parte importante dos preparativos para a vida após a morte, mas as pessoas mais pobres tinham problemas até com os requisitos mais básicos do enterro apropriado de acordo com a tradição.

Nem todos os antigos egípcios podiam construir uma sepultura ou até comprar um sarcófago; seus parentes falecidos eram enterrados em poços comuns nos cemitérios dos arredores do deserto ou um sarcófago que serviria à toda a família.

No início, os caixões eram caixas retangulares de madeira, mas depois surgiram sarcófagos antropóides ("em forma de múmia").

Ba, Ka e Akh - três partes importantes da alma

Cada sepultura tinha um significado simbólico. Foi o lar terreno dos três elementos espirituais do homem: ba, ka e akh. Os antigos egípcios acreditavam que cada indivíduo tinha duas almas, um "ba" e "ka", que se separaram na morte. O "akh" era o espírito transformado que sobreviveu à morte e foi capaz de entrar em contato com os vivos e associado aos deuses.

    A alma do morto deixando o corpo após a morte (pictograma antigo). Imagem de themindunleashed

"Ba", imaginado como um pássaro com uma cabeça humana pairando sobre a múmia, simbolizava os traços de personalidade de uma pessoa. Quando a morte ocorreu, o Ba separou-se do corpo e, durante o dia, vagou no céu e, à noite, retornou à sepultura e à múmia. “Ba” era uma parte da alma que se movia entre os dois mundos: o dos vivos e o dos mortos.

O "ka" (força de vida do indivíduo) representava as necessidades físicas que não cessaram após a morte. No momento da morte, deixou o corpo e vagou para a vida após a morte, portanto, exigia alimentos na forma de sacrifícios, feitos pelos vivos.

Perigos no caminho para a vida após a morte

Muitos perigos podem aparecer no caminho para a vida após a morte e, portanto, 192 feitiços, que foram incluídos no Livro dos Mortos, podem ajudar os espíritos quando se deslocam de um mundo para outro.

Todos conseguiram alcançar a eternidade? Infelizmente, um funeral adequado e até mesmo os feitiços mais poderosos não foram suficientes para alcançar o paraíso. O fator crucial, foi o comportamento do homem durante sua vida.


Os mortos a caminho do paraíso tiveram que ser julgados e defender-se contra uma assembléia de quarenta e dois deuses e cada um deles teve que ser chamado pelo nome. A cerimônia ocorria no Salão das Duas Verdades, também conhecido como o Salão Egípcio de Maat, onde o julgamento dos mortos foi realizado após a morte, incluindo a cerimônia "Pesagem do Coração".

Então, a assembléia de juízes divinos anunciou o veredito. Se o coração fosse mais leve do que a pena de Maat, ou seu peso fosse igual, a alma poderia viver na vida após a morte, ajudar Osiris, o deus da vida após a morte, a julgar, associar-se a outras almas ou retornar à Terra periodicamente para que visitasse alguns lugares que a pessoa amou na vida.

Tanto enterros ricos e pobres foram roubados

Ladrões (geralmente em gangues organizadas de grandes profissionais) podiam invadir quase todos os túmulos e privar os mortos de objetos valiosos. Os túmulos incluíam sapatos, roupas, jóias, jogos, cosméticos, perfumes, instrumentos musicais, vidro e cerâmica, comida, móveis e muitos outros itens que serviriam ao falecido após a morte.

No caso das valiosas sepulturas, era difícil perceber que houve um assalto. Os ladrões geralmente saíam de trás, deixando intactos os selos na porta da sepultura. Em muitos casos, eles nem precisavam ter medo de serem pegos.

O dinheiro sempre teve seu poder e um generoso suborno a um sacerdote corrupto ou à um alto funcionário fez com que as autoridades fechassem os olhos para os roubos de túmulos.

Guardar as sepulturas era uma ocupação que exigia observância extraordinária.

Escrito por - A. Sutherland AncientPages.com Staff Writer

Fonte:

quarta-feira, 11 de abril de 2018

Este antigo papiro egípcio poderia ser o primeiro registro de um homem sendo demitido por agressão sexual

Papyrus Salt 124, sobre as ações de Paneb. (Crédito aos curadores do Museu Britânico)

Há mais de três mil anos, um homem chamado Paneb era um dos trabalhadores mais talentosos de uma cidade de artesãos que esculpia os túmulos dos faraós. No entanto, sua corrupção e tratamento das mulheres o tornaram insuportável e isso pode ter lhe custado o emprego. É um dos primeiros casos conhecidos de homem poderoso demitido por acusações de má conduta sexual.

O relato de sua má conduta foi gravado no Papyrus Salt 124, o qual está sob posse do British Museum desde o início do século 19, quando o egiptólogo Henry Salt o trouxe do Egito.

O papiro, que remonta a cerca de 1200 a.C., é uma queixa escrita por um homem nome Amennakht e dirigida ao vizir Hori sobre a conduta de Paneb, o chefe dos operários em Deir el Medina, uma comunidade de artesãos que construíram os túmulos de Tebas. Acredita-se que Panebe tenha roubado o que deveria ser uma posição herdada ao subornar o vizir na época.

A primeira tradução desta história remonta a 1870, mas uma tradução mais detalhada de Jaroslav Černý, em 1929, fornece uma lista completa do mau comportamento de Paneb. Ele se concentra em como Paneb roubou o trabalho de Amennakht e lista os vários itens que ele pegou ao invadir túmulos.

Ele também é acusado de despir uma mulher chamada Yeyemwaw, jogando-a contra a parede e violando-a. Mais abaixo na folha de acusação e listada como um único crime estão as mulheres que ele “devaneou”, dando alguma pista sobre o peso desses crimes na antiga sociedade egípcia em comparação com os roubos de sepulturas. Além disso, pode ter levado uma série desses tipos de alegações para que isso tenha sido levado a sério (parece familiar?). Ainda assim, é notável que foi apontado como um crime em primeiro lugar e que todas as suas vítimas são nomeadas.

Estudos prévios do Sal Papayrus 124 também não se concentraram em má conduta sexual, mas na era pós-Weisntein (o produtor cinematográfico acusado de assédio e estupro) pedindo tolerância zero à agressão sexual, não há tolerância implícita para o comportamento de Paneb.

"Ainda mais interessante do que o que está no documento é o que é deixado de fora - a questão do consentimento - que levanta questões fascinantes não apenas sobre o Egito antigo, mas também sobre o mundo moderno", escreveu o historiador Carly Silver.

O uso da frase “debochado” deixa alguma ambiguidade, pois os antigos egípcios consideravam o adultério dentro do casamento inaceitável, enquanto os egípcios não casados ​​não tinham expectativas semelhantes, explica Silver. O relato específico de uma mulher como uma única acusação, no entanto, mostra o significado desse crime em particular.

Não está claro o que aconteceu com Paneb, uma vez que o vizir lidou com seu caso e quanto do atual recorde é baseado na raiva de seu acusador Amennakht sobre a perda de seu emprego. Séculos mais tarde, continua sendo uma lição de como a sociedade trata homens poderosos acusados ​​de má conduta sexual.

Fonte:

quinta-feira, 5 de abril de 2018

Festival Sed – Antigo Ritual Egípcio Antigo para Testar Faraós

Mais cedo ou mais tarde, todo grande líder deve provar sua competência para permanecer no poder. No antigo Egito havia um teste para os faraós. Estar em boas condições físicas era um requisito. O festival Seb, também conhecido como Heb-Sed ou o jubileu real, foi celebrado depois que um faraó governou por 30 anos.

O objetivo do festival era renovar a potência do faraó para governar a terra. Durante o festival, o faraó deveria fazer um percurso fixo para provar que sua condição física estava bem intacta. O festival de Sed foi um dos mais antigos rituais da história egípcia.

Não se sabe quando o festival de Sed teve lugar pela primeira vez, mas o primeiro sinal do ritual antigo parece estar documentado no paleta de Narmer, um artefato egípcio datado do reinado do Período Dinástico Inicial do rei Narmer. Embora se deva afirmar que alguns egiptólogos questionam se realmente representa o ritual de Heb-Sed.

Há, no entanto, evidências claras de que o faraó da Primeira Dinastia, Den e o faraó Djoser, da Terceira Dinastia, participaram do festival Sed.

Na Pirâmide de Djoser, construída por Imhotep, há duas pedras com representações do Heb-Sed, que está dentro de seu complexo de pirâmides. Ele também é mostrado realizando o Heb-Sed em uma porta falsa dentro de sua pirâmide.

Todos os faraós, independentemente do sexo, tiveram que ser testados. Em Karnak, um dos maiores complexos de templos do mundo, há blocos da reconstruída Capela Vermelha que mostram a rainha Hatshepsut como rei, correndo com o touro Ápis. Representações encontradas dentro do Templo de Aton em Karnak mostram que o faraó Akhenaton e sua esposa, a rainha Nefertiti, bem como sua filha celebraram o festival Sed.

Detalhe de um rótulo de ébano do primeiro faraó Den , retratando-o correndo em volta dos marcadores de limite do ritual como parte do festival Sed. Crédito: Wikipedia.

Durante esta cerimônia, o faraó fazia várias oferendas aos deuses egípcios e era coroado novamente. A data exata do festival é incerta, mas é possível que a celebração tenha ocorrido em algum momento durante o Koaik, o quarto mês do calendário egípcio.

Os egiptologistas sugerem que o festival Heb-Sed pode ter sido introduzido para substituir um ritual de assassinar um faraó que era incapaz de continuar a governar efetivamente por causa da idade ou condição.

Embora o festival de Seb tenha sido realizado depois que um faraó esteve no trono por 30 anos, há evidências de que alguns governantes, incluindo aqueles com reinados relativamente curtos, celebraram seu jubileu real mais cedo. Os egiptólogos acham que um governante com problemas de saúde pode alterar o período normal entre os festivais Sed.

Escrito por Ellen Lloyd - AncientPages.com

segunda-feira, 12 de março de 2018

Museu mostra a igualdade das mulheres no antigo Egito


Reportagem de Ben Wedeman, CNN

"Como muitos turistas, esse viajante ficou perplexo com o inesperado. As pessoas vestidas de forma diferente, comiam de maneira diferente, escreveram de maneira diferente, faziam tudo de forma diferente. O rio não fluía de norte para sul, mas de sul para norte."

Esse texto de Heródoto, mostra várias coisas que deixou o famoso historiador grego desconcertado, mas o que mais o chocou quando visitou o Egito foi ver o papel que as mulheres tinham na sociedade: "As mulheres frequentam o mercado e são empregadas no comércio, enquanto os homens ficam em casa e fazem a tecelagem", ele escreveu.

Os egípcios, concluiu, "em seus costumes e costumes parecem ter revertido as práticas comuns da humanidade".

As mulheres do antigo Egito - tanto as poderosas quanto as modestas - eram consideradas iguais aos homens, de acordo com a egiptóloga Valentina Santini. "Elas podiam se divorciar. Elas podiam possuir bens. Elas tinham muitos direitos que as mulheres das civilizações subsequentes não tinham".

Antiguidades em exibição demonstram que as mulheres no antigo Egito eram iguais aos homens. Aqui, Merit e seu marido arquiteto, Kha são retratados saudando os visitantes.

No Museu, há uma sala dedicada à Merit que viveu há cerca de 3.400 anos, durante o período do Novo Reino do Egito. Ela morreu aos 25 anos de causas desconhecidas. As caixas que continham seus artigos de higiene pessoal e outras posses são pintadas com imagens de uma mulher confiante lado a lado com seu marido, Kha, que era arquiteto, dando oferendas aos deuses e saudação aos visitantes.

A variedade de bens caros com que foi enterrada - uma grande peruca feita de cabelo humano, pães, jóias, artigos de higiene pessoal, roupas - atestam sua importância.

Na mesma sala está uma estátua branca de pedra calcária de uma mulher - Nefertari - e seu marido, Pendua. Eles são do mesmo tamanho, mesmo altura, cada um com um braço apoiado no ombro do outro. Uma descrição do tipo de igualdade que sem dúvida deixou Heródoto perplexo.

Nefertari, teve uma igualdade com seu marido, Pendua.

"Provavelmente ele estava bastante chateado ao ver o que estava acontecendo ao lado, porque talvez as mulheres gregas pudessem ter uma idéia e obter o mesmo tipo de oportunidades que suas colegas egípcias tinham", comentou Evelina Christillin, presidente da Fundação Museu Egípcio de Turim.

O panteão egípcio estava cheio de deusas temíveis, incluindo Sekhmet - o nome significa "a poderosa". Sekhmet tinha o corpo de uma mulher e a cabeça de uma leoa.

E o antigo Egito contou com uma série de rainhas poderosas, incluindo Hatshepsut e Cleopatra.
Para as mulheres egípcias comuns, a vida era curta e difícil. O parto muitas vezes provou ser mortal. No entanto, elas gozavam de um nível de proteção legal, incluindo acordos pré-nupciais.

"As mulheres tinham um status social muito bem definido", disse o diretor do museu, Christian Greco. "Nós temos aqui alguns contratos de casamento, onde afirma muito claramente o que um homem deve garantir em termos de prata e outras commodities em caso de divórcio".

Fonte:
https://edition.cnn.com/2018/03/08/culture/women-rights-ancient-egypt-intl/index.html

Vale a pena acessar a fonte para conferir o vídeo da reportagem ;)