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quinta-feira, 13 de junho de 2019

Descoberta uma despensa de Ramsés II no Delta do Nilo

Imagens de Ramsés II e Nefertari em Abu Simbel (jasonbennee / Getty Images / iStockphoto)

Uma missão arqueológica egípcia descobriu no Delta do Nilo duas câmaras com desenho de colmeia usadas como para preservar a colheita, bem como carne e peixe, durante o reinado do faraó Ramsés II.

Ao lado de um edifício residencial, que o ministério não deu detalhes, esses restos foram encontrados no local da fortaleza militar de Al Abqaín, localizada na cidade de Hosh Eissa na província de Beheira, norte do Egito, anunciou na segunda-feira o Ministério egípcio de Antiguidades em um comunicado.

Estas duas câmaras de armazenamento de alimentos são separados por um pátio murado e são guardados por dois estandes: uma reservada uma guarda responsável por proteger a colheita do faraó da dinastia XIX, e um para os guardas da fortaleza.

O lugar é projetado na forma de colméia, dividido em pequenas células onde todos os alimentos foram mantidos, assim como vasos, telhas ou amuletos de pedra gravadas com o olho de Hórus, um talismã que tinha fama poderes de cura e proteção.

De acordo com a declaração do chefe do Departamento de monumentos egípcios, Ayman Ashmawy, os armazéns estavam "completos" e ao redor de cada unidade apareciam restos de muros e paredes de barro. A nota também observa que durante as tarefas de restauração da nova descoberta também foram encontrados fornos de barro que serviam para torrar os grãos para limpar insetos e umidade antes de armazenar garantindo a sua conservação e evitando pragas.

A missão arqueológica já descobriu no mesmo local as muralhas externas da fortaleza, bem como as torres de vigia e um falso pátio de acesso que era usado para enganar qualquer um que quisesse invadir o prédio militar.

Fonte:
https://www.lavanguardia.com/cultura/20190610/462783136762/egipto-despensas-ramses-delta-nilo.html?fbclid=IwAR1TNXm1zDvlxKERR9Sm_qlZPbcTfYRrAx1PfPxEi_ETQGlk0Xmm-ECrZX0

Impressora 3D usa cinzas das peças do Museu Nacional para reconstruir acervo

Reportagem retirada na íntegra de: 


(FOTO: DIVULGAÇÃO)


De um lado, uma pilha de cinzas e entulhos produzidos pelo incêndio do Museu Nacional, no Rio de Janeiro, em setembro de 2018. Do outro, pesquisadores que há 20 anos vêm desenvolvendo um projeto de criação de réplicas tridimensionais em impressoras 3D. Envolvidos nos esforços de recuperação do acervo consumido pelo fogo, eles lançaram a ideia: por que não tentar reconstituir as peças perdidas com o material resultante do próprio incêndio? “Logo começamos os testes, até porque o material derivado da destruição era abundante”, conta o paleontólogo Sergio Kugland, diretor do museu entre 2003 e 2010 e integrante da força-tarefa para reerguer a instituição. Assim, centenas de itens — entre eles o crânio de Luzia, amuletos egípcios, um fóssil de crocodilo, vasos milenares e o caixão de uma múmia — estão sendo montados no tamanho original. O grupo multidisciplinar envolve pesquisadores do museu, da PUC-Rio e do Instituto Nacional de Tecnologia, além da cooperação de órgãos internacionais com experiência em tomografia e impressão 3D, atuando em áreas como paleontologia e medicina. A impressão é só a etapa final, já que boa parte das peças do museu já vinha sendo digitalizada nas últimas duas décadas — o que permitirá ao museu, literalmente, renascer das cinzas.

Um filme será gravado no Museu Egípcio de Turim

Uma cena do filme.

O filme "Berni e o jovem faraó", dirigido por Marco Chiarini, se passa no Museu Egípcio, que conta as aventuras e a amizade de dois jovens entre as antiguidades egípcias. O filme será exibido nos cinemas italianos de 20 a 22 de julho e será produzido pela 3ZERO2 e The Walt Disney Company Italia com o apoio da Film Commission Torino Piemonte. 

A história é de Ram (Jacopo Barzaghi), um menino de três mil anos, filho da poderosa dinastia do faraó Ramsés, que é catapultado para o caótico mundo contemporâneo. Um adolescente que foi educado para ser adorado e governado se considera tratado como "diferente". Berenice (Emily De Meyer) é uma jovem que vive em sua pele o desconforto tipicamente adolescente de sempre se sentir fora do lugar e que se encontra envolvida em uma profecia egípcia distante e misteriosa. Através de seu sangue, ele despertará uma múmia no museu egípcio e, juntos, os dois meninos viverão uma emocionante aventura cheia de elementos fantásticos e referências à história do antigo Egito.

Piero Crispino, produtor de 3Zero2: «É um filme particular e único. Pela primeira vez, um filme de fantasia, um gênero que já é uma exceção para o cinema italiano, conta uma história ambientada no belo Museu Egípcio de Turim ». 

Fonte:
https://www.lastampa.it/2019/06/10/cronaca/walt-disney-sbarca-al-museo-egizio-per-le-riprese-di-un-film-V9yt7E7zts9uZ8dPiSCBmO/pagina.html?fbclid=IwAR17p-Lr2sBACpynwdcuy6p1yWhUlqmCEzQ3HQlAau5H2N8UXeGaZwQzeXU

Já gostei desse filme! Tomara que chegue ao Brasil!!!

Cerveja atual feita com fermento de 5.000 anos do antigo Egito

Se você acha que a cerveja de um bar local está um pouco rançosa, pense nos pesquisadores que prepararam uma cerveja com levedura estimada em 5.000 anos de idade.

O fermento foi arrancado da cerâmica usada para produzir cerveja nos tempos antigos, extraída dos nanoporos da argila e convertida em bebida alcoólica com a ajuda de microbiologistas, arqueólogos e especialistas em vinícolas. O resultado final é ostensivamente cerveja que teria sido semelhante àqueles bêbados na época dos faraós.

A equipe acredita que é a primeira vez que a levedura antiga original foi preservada e desenvolvida para fabricar cerveja nova - neste caso, uma fermentação de 6% semelhante a uma cerveja de trigo, e um hidromel de 14%. Anteriormente, uma cepa geneticamente modificada de trigo com 10.000 anos de idade também era usada para fabricar cerveja.

"Este fermento antigo nos permitiu criar cerveja que nos permite conhecer o sabor da antiga cerveja filistéia e egípcia. A propósito, a cerveja não é ruim", disse um dos microbiologistas Ronen Hazan, da Universidade Hebraica de Jerusalém, em Israel.

Um dos potes de que a cerveja foi produzida. (Yaniv Berman / Autoridade de Antiguidades de Israel)

É claro que 5.000 anos é muito tempo para a levedura sobreviver em um nanopore - a equipe esclarece que esses são os descendentes diretos da levedura encontrada no vaso, fazendo com que a levedura tenha 5 mil anos de idade.

Para garantir que eles não os confundissem com qualquer levedura no ambiente, os pesquisadores também testaram outros 27 vasos que não eram usados ​​para álcool e 53 outras amostras ao redor do local da escavação, e não encontraram o fermento nanoporo específico em nenhum lugar. 

A cerveja era imensamente importante e regularmente absorvida em culturas antigas - bebidas alcoólicas como cerveja e vinho eram consideradas mais seguras para beber do que a água por causa do processo de fermentação, e também estavam ligadas a práticas religiosas e curas de saúde.

Este fermento em particular veio de cerâmica escavada em quatro locais diferentes em Israel, com o mais antigo estimado em cerca de 3.000 a.C. Com base no sequenciamento de genes, a levedura parece similar àquelas usadas nas cervejas africanas tradicionais e à levedura de cerveja moderna.

"Eu me lembro disso quando tiramos a cerveja pela primeira vez e nos sentamos em volta da mesa e bebemos", disse à AFP um dos pesquisadores, o arqueólogo Aren Maeir, da Universidade Bar-Ilan, em Israel.

"E eu disse que ou seremos bons ou estaremos todos mortos em cinco minutos. Vivemos para contar a história."

Os pesquisadores provaram sua cerveja. (Yaniv Berman, Autoridade de Antiguidades de Israel)

Os pesquisadores chegaram a sugerir que poderiam tentar vendê-la um dia, se você quiser beber como os faraós. A bebida foi bem recebida pelos provadores do International Beer Judge Certification Program.

A bebida não tem o mesmo sabor que teria nos tempos antigos: apenas algumas das antigas cepas de levedura foram extraídas, e os ingredientes e técnicas modernos foram usados ​​para processá-la.

Além do burburinho de beber cerveja de 5.000 anos de idade, há uma descoberta científica mais profunda aqui: o estudo mostra que é possível isolar e analisar microorganismos (neste caso, levedura) de cerâmica antiga. Até agora, a análise de organismos mais antiga dependia de estudos de DNA.

Quando se trata de recriar o passado e entender como nossos antigos ancestrais viveram suas vidas - cerveja e tudo mais - isso é um desenvolvimento importante.

"Além do truque de beber cerveja desde a época do rei Faraó, essa pesquisa é extremamente importante para o campo da arqueologia experimental - um campo que busca reconstruir o passado", diz Hazan.

"Nossa pesquisa oferece novas ferramentas para examinar métodos antigos e nos permite provar os sabores do passado."

A pesquisa foi publicada em mBio.

Fonte:
https://www.sciencealert.com/yeast-from-a-5-000-year-old-pot-was-woken-up-and-used-to-brew-an-ancient-beer?fbclid=IwAR0L5YYIOXHzKZudzCvMHZ-_jIN8oMF7HMH1tYeVbyc6BihNOfvNImohgXY

Múmia egípcia de 2,5 mil anos é identificada no interior do RS

Múmia pode ser visitada na PUCRS — Foto: Édison Hüttner/PUCRS.


A cabeça de uma múmia que integra o acervo de um museu no interior do Rio Grande do Sul foi identificada como de uma mulher egípcia, que viveu há 2,5 mil anos. A múmia de Iret-Neferet estava no Centro Cultural 25 de Julho, em Cerro Largo, Noroeste do Rio Grande do Sul, há mais de 30 anos, sem que ninguém soubesse sua origem.

Segundo o professor Édison Hüttner, que participa do grupo de pesquisadores da PUCRS e do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPQ) que estuda a peça, é a primeira descoberta de uma múmia egípcia no Brasil no século 21. Em 1995, estudiosos da área identificaram a múmia Tothmea, em Curitiba, que está resguardada no Museu Egípcio e Rosacruz.

Depois do incêndio no Museu Nacional, no Rio de Janeiro, são os dois únicos exemplares de múmias egípcias conhecidas no país, salienta o professor. A tragédia acabou destruindo seis múmias que haviam sido compradas pela família imperial.

"O Egito tem nas múmias suas raízes mais profundas", observa o professor, ressaltando a importância da descoberta.

Hüttner conta que encontrou a cabeça quando esteve no Centro Cultural, em 2017, em busca de materiais para outra pesquisa: a que identificou a imagem de São Nicolau, um dos mais antigos exemplos de arte missioneira do Rio Grande do Sul. "Também tem estátuas missioneiras no museu. Estando por ali, vi a cabeça e pensei que poderia ser uma múmia", lembra.

O pesquisador comenta que viu semelhanças entre a cabeça e outras múmias que ele havia visto no Museu do Louvre, em Paris, e no Museu do Vaticano. Ao iniciar a pesquisa, começou a levantar informações que possibilitaram a confirmação da origem.

O primeiro passo da pesquisa foi submeter a cabeça a uma tomografia, exame que já ajudou a identificar outras peças históricas no estado, no Instituto do Cérebro do Rio Grande do Sul. "Vimos ali um detalhe especial, que vendo ela de fora não era possível enxergar", diz o professor Hüttner, sobre a constatação de que foi colocado no crânio um olho artificial, como faziam os egípcios antes de embalsamar seus mortos.

A peça é composta por rocha e seda. "Ela fica iluminada, como se fosse vidro", diz. A descoberta deu origem ao nome da múmia: Iret-Neferet significa "olho bonito" em egípcio antigo. O professor comenta que evidências, como as faixas características das múmias egípcias e um buraco acima do nariz, usado para remover o cérebro, já demonstravam a origem da cabeça.

Análise dentária para estimar a idade

A múmia é de uma mulher de meia idade, com aproximadamente 40 anos, descoberta possível através da análise de um dente encontrado na cabeça, como explica o professor.

O dente foi removido e enviado a um laboratório nos Estados Unidos, que reconstituiu o que seria a arcada dentária da mulher egípcia, e calcular a idade aproximada dela. Iret-Neferet viveu entre o final do Período Intermediário III (1070-712) e o início do Período Tardio (712-332 a.C.) do Egito.

Conforme os resultados de um exame de radiocarbono, a múmia deve ter cerca de 2,5 mil anos.

Próximos passos

A pesquisa das origens de Iret-Neferet seguirá, conforme o professor Hüttner. Agora serão analisados fungos e bactérias encontrados na cabeça, para acrescentar mais dados à identidade dela.

Os pesquisadores também tentarão descobrir a linhagem da múmia, que o professor Hüttner suspeita que possa ter ligação com nobres egípcios. Na Alemanha, há pesquisa de sequenciamento do DNA para tentar chegar a esse resultado. Material deverá ser enviado para lá.

Presente de um egípcio

A cabeça que por anos ficou resguardada ao museu no interior do Rio Grande do Sul foi doada por um morador de Cerro Largo, entre o fim dos anos 1970 e o início dos 1980. Hüttner conta que Marcelino Kuntz entregou a peça pouco antes de morrer de câncer.

Ele, por sua vez, havia ganhado a cabeça de um amigo, que era egípcio, durante uma passagem pelo Rio de Janeiro, na década de 1950, conforme informações repassadas pelo museu. A identidade do egípcio não é conhecida, nem como ele conseguiu a múmia.

"Ele [Marcelino] era um intelectual, tinha conhecimento sobre vários assuntos. Ganhou [a cabeça] nos anos 50 e ficou com ela por todo esse tempo. Morou em São Luiz Gonzaga, Santa Rosa, outros municípios. A múmia sempre acompanhou ele", diz Hüttner.

Kuntz era amigo de Guido Henke, um dos membros do museu que trabalhou na criação do acervo. "Ele ofereceu a múmia, Guido fez uma reunião com a associação [do museu] que decidiu que a acolheriam. Ela estava em uma prateleira simples, dentro de uma caixa de vidro, com uma manta por cima", descreve o pesquisador.

A cabeça de Iret-Neferet pode ser vista na Biblioteca Central Irmão José Otão, no Campus Central da PUCRS, de 11 de junho a 28 de julho, gratuitamente. Além da múmia, estarão expostos objetos e símbolos utilizados nos rituais de mumificação egípcios, proveniente dos museus Egípcio e Rosacruz de Curitiba, no Paraná, e de Arqueologia Ciro Flamarion Cardoso, em Ponta Grossa, também no Paraná. A mostra contará ainda com imagens da história do Egito e banners com conteúdo produzido pelos pesquisadores.

Dimensões da múmia

Cabeça: 21 cm de altura, 19 cm de largura, 21 cm de comprimento, 1.726.47 kg.

Olho: altura: 2,5 cm de largura: 2,6 cm de comprimento, 7.34 gramas.

Fonte:

segunda-feira, 20 de maio de 2019

Da onde veio o vidro amarelo nas jóias de Tutancâmon?

O faraó do Antigo Egito Tutancâmon usava joias amarelas que foram feitas de um meteorito derretido que tinha se formado 29 milhões de anos atrás, afirmam cientistas.
A origem do vidro do Deserto da Líbia, que está espalhado e pode ser encontrado no deserto do Saara, tem sido um mistério durante pelo menos 100 anos.

Os investigadores pensam ter uma resposta acerca da sua origem: este vidro misterioso teria sido formado pelo impacto de um meteorito gigante ou de um cometa na região do deserto do Saara.
Especialistas afirmam que sua formação ocorreu na sequência de uma explosão na atmosfera da Terra, criando assim material liquido fundido que quando arrefeceu se transformou em vidro amarelo.


O mistério das estranhas joias amarelas do rei do Antigo Egito Tutancâmon foi resolvido – vieram do espaço.

Este vidro enigmático foi encontrado na tumba do rei do Antigo Egito Tutancâmon, inclusive em um escaravelho e em várias joias encontradas enterradas perto do faraó.
De acordo com um estudo publicado recentemente na revista Geology, cientistas afirmam que este vidro é feito de um mineral chamado reidite, um mineral muito raro feito de zircônia sob altas pressões e temperaturas.
O autor principal do estudo, doutor Aaron Cavosie, do Centro de Ciências e Tecnologias Espaciais da Escola de Geologia e Ciências Planetárias da Universidade de Curtin, disse que este material só podia ter sido formado em resultado do impacto de um meteorito.

 ​Adorno peitoral representando um escaravelho esculpido do raro vidro.

"Este assunto tem sido um tema dos constantes debates sobre se este vidro se formou durante um impacto de meteorito ou durante uma explosão no ar, o que acontece quando asteroides próximos da Terra rebentam e libertam sua energia na atmosfera terrestre", explicou o doutor Cavosie.

"Tanto os impactos de meteorito como explosões no ar causam derretimento, porém, somente os impactos criam ondas de choque que formam minerais de alta pressão, então, encontrar provas da formação de reidite confirma que ele se formou em resultado de um impacto de meteorito", concluiu o especialista.

Fonte:
https://br.sputniknews.com/ciencia_tecnologia/2019051913911188-misteriosa-origem-do-vidro-amarelo-nas-joias-do-farao-tutancamon-foi-desvendada-fotos/

quinta-feira, 9 de maio de 2019

Museu Nacional resgata 200 peças de sua coleção egípcia

Compartilho a reportagem que você pode ler na íntegra, clicando AQUI, sobre 200 peças que foram resgatadas da coleção egípcia, após o incêndio que destruiu quase tudo do Museu Nacional.

Museu Nacional apresenta peças da coleção egípcia resgatadas dos escombros da instituição - Tomaz Silva/Agência Brasil

"As peças foram dia 7 de maio por pesquisadores do Museu Nacional, que já resgataram cerca de 200 dos mais de 700 itens da coleção egípcia do Museu Nacional. O trabalho de 100 pesquisadores, técnicos, alunos e colaboradores de outras instituições vem revelando que, ao contrário do que sugeriam as primeiras impressões sobre o desastre, muito ainda pode ser salvo da área destruída pelo fogo e pelo desmoronamento dos três andares do Paço São Cristóvão, palácio que serviu de residência à Família Real até o fim do Império.

As 200 peças da coleção egípcia são apenas uma parte das 2,7 mil peças já resgatadas do palácio. Uma das coordenadoras do núcleo de resgate, a paleontóloga Luciana Carvalho enumera que os setores com mais objetos resgatados são a arqueologia, antropologia biológica, etnologia, paleontologia de invertebrados, paleontologia de vertebrados, paleobotânica, mineralogia e petrografia. "Hoje, o processo de resgate está voltado principalmente para essas coleções cientificas", disse.


Boa parte das peças egípcias resgatadas têm sido encontrada na Reserva Técnica da Arqueologia do Museu, área em que as peças estavam armazenadas sem estarem expostas ao público. "A gente consegue encontrar muito do material intacto nas prateleiras e nas gavetas"", de acordo com o pesquisador Pedro Von Seehausen.

Um fato interessante tratado pela reportagem está reproduzido abaixo:



"A sacerdotisa egípcia Sha-Amun-em-Su foi mumificada e sepultada em um sarcófago por volta do ano 750 a.C., e seu caixão ficou lacrado até 2 de setembro de 2018, quando o incêndio do Museu Nacional destruiu parte da maior coleção egípcia da América Latina. Recebida do soberano egípcio por Dom Pedro II, a múmia era a favorita do imperador, e ficava em seu escritório, no palácio que passou a abrigar o Museu Nacional com o fim do Império. Se as chamas destruíram o caixão de madeira policromado e parte dos restos mortais da sacerdotisa, elas também revelaram nove amuletos que haviam sido vistos pela última vez por quem lacrou o caixão de Sha-Amum-em-Su."


Confira a reportagem completa em:

http://agenciabrasil.ebc.com.br/geral/noticia/2019-05/museu-nacional-resgata-200-pecas-de-sua-colecao-egipcia?fbclid=IwAR2oYTmKgkUKzpqPdqWnZcA6LdAc0TVQfR5T7tW0Bk3aT5kLz3ZZipzjsx4





sexta-feira, 3 de maio de 2019

O trono do Egito pode ter sido partilhado por duas rainhas antes de Tutancâmon

Relevo de Akhenaton e Nefertiti. Foto de Kenneth Garrett (abril de 2001).


Velérie Angenot, egiptóloga e historiadora da arte na Universidade de Quebec, em Montreal (UQAM) afirma que Tutancâmon terá chegado ao poder depois de as suas duas irmãs terem ocupado o trono juntas. 

Já haviam suspeitas por parte de egiptólogos de que no século XIV a.C., uma rainha tinha precedido Tutancâmon. Alguns acreditavam que a rainha fosse Nefertiti, esposa de Akhenaton, autoproclamada faraó após a morte do seu marido, enquanto outros acreditavam que a rainha teria sido a princesa Meritaton, filha mais velha de Akhenaton.

O estudo conduzido foi baseado na ótica de que as duas filhas de Akhenaton tinham idade para assumir o trono enquanto Tutancâmon ainda era uma criança. Nessa teoria as duas irmãs assumiram o poder em conjunto.

Akhenaton tinha seis filhas, sendo sua filha mais velha, Meritaton, e que juntamente com Neferneferuaten Tasherit, teriam ambas assumido o poder juntas sob o nome comum de Ankhkheperure, conforme o jornal Daily Mail.

A historiadora também analisou uma figura exposta no Museu Egípcio de Berlim que representa duas personagens sentados num trono, um dos quais está a acariciar o queixo do outro. “Levantaram todo o tipo de hipóteses sobre o assunto: se representa Akhenaton com o seu pai, ou Akhenaton e Nefertiti”, explicou, “e eu percebi que este gesto de acariciar o queixo era típico das princesas, em 100% dos casos”.

A egiptóloga apresentou suas descobertas numa reunião de egiptólogos na Virgínia, nos EUA. Angenot acrescentou que esperava conseguir avançar no conhecimento sobre questões de sucessão no antigo Egito e no Período de Amarna, na era do reinado de Akhenaton, conhecido como o “rei herege”.

“Acho que podemos avançar a nossa compreensão sobre as questões de sucessão no Antigo Egito, mas acima de tudo, no nosso conhecimento sobre o período fascinante de Amarna, que viu o nascimento do primeiro monoteísmo”, concluiu Angenot.

O estudo de algumas peças do tesouro de Tutacâmon, descoberto em 1922 pelo arqueólogo britânico Howard Carter, revelaram que o faraó tinha usurpado a maior parte do material funerário da rainha Neferneferuaten Ankhkheperure.

Fonte:

quarta-feira, 24 de abril de 2019

Descoberta de um grande túmulo de pedra em Tebas

O exterior do grande túmulo da rocha. Reuters

Uma enorme tumba estava escondida a poucos passos da rota normal de visita que os turistas fazem todos os dias, escondida por centenas de metros cúbicos de detritos de um par de séculos de escavações arqueológicas na área.
Ao norte do enterro de Roy (TT255), que pode ser visitado na necrópole de Dra Abu el Naga, foi identificado e escavado por uma missão egípcia dirigida por Mostafa Waziri, o maior "túmulo do saff" conhecido de Tebas Ocidental. A estrutura consiste em um vasto pátio aberto no qual se abre uma fachada monumental de 55 metros, com 18 entradas intercaladas com pilares.

Aqui Djehutyshedsu foi enterrado, cujo nome e numerosos títulos - "príncipe", "prefeito", "Portador dos selos do Rei do Alto e do Baixo Egito" - podem ser lidos nas faces pintadas dos pilares e em alguns dos mais de 50 cones funerários encontrados .

Nos cantos norte e sul, dois poços de 11 metros de profundidade datam, segundo a egiptóloga Friederike Kampp, uma das maiores especialistas da necrópole tebana, da XVII dinastia (16650-1550 aC), embora usada até o reinado de Hatshepsut (1479- 1458) no início da XVIII dinastia.

Na tumba, as paredes são decoradas com cenas rituais do falecido na presença dos deuses e atividades diárias, como caçar, pescar e fazer barcos de papiro. O kit fúnebre inclui vasos, dezenas de ushabti de madeira ou faiança, estatuetas de madeira, uma máscara de cartonagem, tampas de calcário canópico e um raro papiro intacto, escrito em hierático e ainda envolto em linho. Uma moeda de bronze da época de Ptolomeu II (285-246) evidentemente atesta uma participação mais recente.

Ao redor da quadra, como frequentemente acontece, há 6 tumbas menores ainda a serem investigadas.

Não muito longe, na necrópole de Abd el-Qurna, outros dois túmulos foram anunciados pelo Ministério das Antiguidades. Datando da 19ª dinastia (1291-1185), eles pertencem a dois oficiais chamados Akhmenu e Meryra. Pouco se sabe sobre o primeiro, enquanto um esplêndido sarcófago policromado foi encontrado no segundo.

Fonte:
http://www.nationalgeographic.it/wallpaper/2019/04/22/foto/tebe_ovest_grande_tomba_rupestre_djehutyshedsu_funzionario-4378763/?fbclid=IwAR3aC6Uxx8tdTSpfnFj23RscW4VsDT2QlGfsQSzyjm_hyyUfJcJ4Z2jEbOo&refresh_ce

Descoberta em Saqqara: uma rainha egípcia desconhecida

Uma missão arqueológica descobriu em Saqqara o túmulo de um dignitário chamado “Khuwy” ou “Khuy” (acompanhe clicando aqui) e o nome de uma antiga rainha desconhecida até agora, que possivelmente era a esposa do faraó Djedkare.

Arqueólogos encontraram o nome da rainha Setibhor, que não era conhecida por fontes antigas, gravada numa coluna de granito vermelho na parte sul de um complexo piramidal até então anônimo localizado ao lado da pirâmide de Djedkare.

A inscrição diz: “Aquele que vê Hórus e Seth, o grande do cetro dos heróis, o maior dos louvores e a esposa do rei, sua amada Setibhor”.

O complexo piramidal da rainha Setibhor é uma das mais antigas pirâmides em Saqqara. Construído no final da dinastia V é também o maior complexo piramidal construído para uma rainha durante o Reino Antigo. O templo funerário incorporou elementos arquitetônicos e câmaras que eram reservadas apenas para os reis do Antigo Império.

O complexo da pirâmide e o templo foram descobertos nos anos 50, mas o nome do proprietário era desconhecido até agora. O grande tamanho do complexo da pirâmide da rainha Setibhor e o seu título podem indicar a sua intervenção direta para ajudar o marido, o faraó Djedkare, a ascender ao trono do Egito no final da V Dinastia.

“Parece que Djedkare queria honrar a esposa através da construção de um enorme complexo de pirâmide, com muitas características incomuns, incluindo colunas de granito palmiformes, que constituem um elemento arquitetônico conhecido até agora apenas no complexo piramidal dos reis e não utilizado em Templos das Rainhas durante o período do Antigo Reino”.

Nas investigações foi descoberto também o túmulo de “Khuwy” ou “Khuy”, um dignitário que viveu durante a V dinastia. Mostafa Waziri, secretário geral do Conselho Supremo de Antiguidades, explicou que a sepultura consiste numa câmara de oferta em forma de L, que foi decorada com relevos. Apenas a parte inferior desta decoração é conservada, uma vez que os blocos de calcário branco foram reutilizados em outras construções na antiguidade.

A missão descobriu na parede norte do túmulo a entrada para uma estrutura inferior única, semelhante às pirâmides da V Dinastia. Essa parte da sepultura começa com um corredor descendente, que leva a uma pequena sala. Uma entrada na parede sul dá acesso a uma antecâmara decorada com cenas do proprietário do túmulo sentado diante de uma mesa de ofertas, bem como uma lista de ofertas e a fachada do palácio.

Mohamed Megahed, chefe da missão arqueológica, disse que, através de duas entradas na parede oeste da antecâmara, a missão localizou uma segunda sala sem decoração que era usada como câmara funerária. “Parece que o espaço da câmara funerária estava quase completamente preenchido com um sarcófago de calcário, que foi encontrado totalmente destruído por antigos ladrões de túmulos”, acrescentou Megahed.

Uma entrada na parede sul da antecâmara decorada leva a uma pequena sala, que provavelmente foi usada como depósito. Arqueólogos encontraram a sala cheia de entulho, sem valor.

De acordo com Megahed, “a descoberta da tumba destaca a importância da era Djedkare e o final da V Dinastia em geral”. A missão descobriu os restos de Khuwy ou Khuy, que mostram traços de mumificação.

terça-feira, 23 de abril de 2019

Tratado médico do antigo Egito revela conhecimentos de 3600 anos


"Papiro de Edwin Smith" é o mais antigo tratado médico do mundo, que remonta ao Segundo Período do Egito Antigo, ou seja, por volta de 1600 a.C. - mais de mil anos antes do nascimento do médico grego Hipócrates. Seu nome é uma homenagem ao colecionador de antiguidades Edwin Smith, que o comprou em 1862 na cidade de Luxor, ao sul do Egito. Em 1906, com a morte de Smith, o documento foi entregue à Sociedade Histórica de Nova York, e apenas em 1920 o egiptólogo estadunidense James Henry Breasted conseguiu traduzi-lo, ficando provavelmente entusiasmado por perceber que tinha em suas mãos um antigo livro de medicina.

No papiro foram usadas as tinhas preta e vermelha para separar o corpo principal do texto dos glossários explicativos. Breasted acreditava que os glossários em vermelho (69 deles no total) foram adicionados alguns séculos após o texto original ter sido escrito, registrando também que o escriba (cujo nome não foi preservado) cometeu muitos erros ao redigir os textos, alguns dos quais foram corrigidos nas margens.

Papiro em livro publicado por Breasted / Créditos: Reprodução

De acordo com o arqueólogo Breasted, os papiros contêm um total de 48 casos médicos organizados sistematicamente. Os exemplos se iniciam com tratamentos para lesões na cabeça, se estendendo pelo corpo com fraturas na coluna vertebral e no tórax. Pelo fato de o documento estar incompleto, os tratamentos para lesões na parte inferior do corpo não foram registrados.

As instruções do papiro se organizam de forma sistemática, iniciando com um "Título introdutório" seguido pela seção "Sintomas significativos" -- que fornece um exame detalhado sobre o dano sofrido. Por fim há a seção "Diagnóstico", na qual se coloca um veredicto sobre a possibilidade de tratamento: favorável, incerto ou desfavorável.

Página do papiro / Créditos: Reprodução

Alguns exemplos de ferimentos encontrados no papiro de Edwin Smith incluem lesões no crânio, como por exemplo "uma ferida na cabeça que penetra no osso do crânio"(Caso 1) e "uma fratura craniana sob a pele da cabeça" (Caso 8). Também se encontram tratamentos para lesões faciais, como "um golpe na narina" (Caso 13) e "fratura na bochecha" (Caso 16) e lesões no tronco, como "uma ferida no peito" (Caso 40) e "uma luxação das costelas do tórax" (Caso 43). Com base na natureza dessas lesões, pesquisadores têm sugerido que este tratado médico lida com um grupo específico de pacientes: soldados e trabalhadores de construções que se feriram durante o expediente.

Finalmente, deve-se notar que o papiro de Edwin Smith demonstra a abordagem altamente metódica e racional adotada pelos antigos egípcios para lidar com tais ferimentos. Por exemplo, os tratamentos incluem o fechamento de feridas com suturas, bandagens, talas, cataplasmas, prevenção de infecções com mel e a imobilização do corpo, no caso de lesões na coluna vertebral. Além do procedimento passo-a-passo usado em cada caso, também é notável o fato de que usa-se a magia apenas em um dos 48 casos preservados no texto.

Texto adaptado do original de Joseane Pereira, que você pode conferir em:

Pesquisadores do Museu Nacional irão ao Egito para restaurar tumba

ENTRADA DA TUMBA DE NEFERHOTEP (FOTO: DIVULGAÇÃO)

O Museu Nacional, cujo prédio e coleção foram devastados por um incêndio no ano passado, planeja levar pesquisadores ao Egito para participar da restauração da tumba de Neferhotep, processo que envolve especialistas da Argentina (coordenadores do projeto), Alemanha e Itália. Porém a viagem brasileira, que aconteceria no próximo mês, foi adiada por “algumas questões burocráticas”, segundo a assessoria de imprensa da entidade.

A arqueóloga argentina Violeta Pereyra, professora catedrática da Universidade de Buenos Aires e líder do projeto de pesquisa sobre a tumba, que teve início em 1999, explica que a equipe brasileira deverá iniciar os trabalhos em janeiro de 2020. Pereyra confirmou os entraves burocráticos no Egito: no último ano, foram feitas mudanças na liberação das permissões de trabalho estrangeiro.

Segundo a arqueóloga, que está no Egito trabalhando na restauração, o projeto já está em fase avançada de recuperação, mas ela ressalta a importância da participação brasileira, sob a liderança do professor Antonio Brancaglion — o acordo com o Museu Nacional foi firmado há cinco anos. “A conservação está a cargo de pesquisadores alemães, que têm a capacidade de preservar e conservar a pintura mural. No entanto, para que o monumento possa ser apresentado ao público, é necessário o trabalho de historiadores e arqueólogos, por isso a ideia de convocar os pesquisadores do Museu Nacional, que contou com a melhor coleção egípcia da América Latina, deu possibilidade de desenvolver investigações bem específicas na arqueologia.”

Afirmações como essa têm grande peso no momento por que passa o Museu Nacional. O fogo de setembro passado destruiu não apenas a múmia da sacerdotisa-cantora Sha-amum-em-su, mas uma coleção de 700 peças funerárias, adquiridas tanto por D. Pedro I quanto D. Pedro II. “Acho que isso afetará a formação das futuras gerações de pesquisadores. Isso não significa que não haja outras possibilidades de trabalhar com a coleção, que está muito bem documentada”, afirma Pereyra.

Segundo a egiptóloga, as academias argentina e brasileira têm produzido grandes avanços no estudo da tumba de Neferhotep, chefe dos escribas do Templo de Karnak, contemporâneo do faraó Tutancâmon, que viveu por volta de 1300 a.C.


ARQUEÓLOGAS VIOLETA PEREYRA E NINA VERBEEK NA TUMBA (FOTO: DIVULGAÇÃO)

Os escribas no Egito Antigo eram responsáveis pelo registro de transações comerciais, atos administrativos e religiosos, tendo uma importância visceral para os faraós. E este nobre liderava o templo de Amon, que reuniu o clero mais poderoso do antigo Egito, representando um deus considerado o rei dos deuses e a força criadora da vida. Ele não era tido apenas chefe dos escribas, era chamado de “Escriba e o Grande”. Ainda foi responsável pela administração da manufatura de tecidos em todo o Egito.

Golpe de Estado
Neferhotep tinha a mais alta posição e viveu em um período de grandes mudanças políticas e religiosas, entre o fim do império de Akhenaton e o início do domínio de Tutancâmon. “Nós estamos seguros — e as investigações estão mostrando — que essa tumba é uma boa fonte de informação para documentar o que ocorreu ness
e período”, afirma Pereyra. A tumba está localizada no Vale dos Reis, na Necrópole de Tebas, próxima à margem do rio Nilo, e foi pesquisada pela primeira vez por Norman de Garis Davies, que publicou um estudo em 1933.

Influenciado pelo Deus Sol (Re-Harakti), o faraó Amehotep IV deixou Tebas, a sede do poderoso Templo de Amon (Karnak). Criou uma cidade em Amarna que se chamaria Akhetaton e aboliu os mais de 2 mil deuses do Antigo Egito para existir apenas Aton (o disco solar). Ele próprio mudou seu nome para Akhenaton, “aquele que é favorável a Aton”. Poeta e dedicado às artes, Akhenaton relevou o papel do exército, perdendo territórios e enfurecendo os sacerdotes pela sua mudança religiosa. Essa decisão retirou os poderes da casa de Amon. “Foi o mais próximo [na antiguidade egípcia] que se chegou ao monoteísmo”, diz o egiptólogo Júlio Gralha, professor de História Antiga da Universidade Federal Fluminense (UFF).

José Roberto Pellini, professor da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), afirma que Akhenaton instituiu o culto ao “disco solar” como uma forma de reduzir o poder do clero de Amon, que ficara extremamente poderoso após a expansão do império conduzido pelo faraó Tutmósis III. “Foi uma reforma com fundo político e econômico, porque após a sua morte houve a restituição de todos os deuses. Quando ele muda a religião, quem segue o novo culto ao deus Aton, deus único, é a nobreza e família real.”

Segundo Pereyra, “Akhenaton fez uma mudança na ideologia para tornar o poder mais autocrático e reduzir o poder da elite tebana. Nessa perspectiva, estaríamos praticamente frente a um golpe de Estado, que é a culminação de um longo processo durante a 18ª dinastia”.

E a tumba de Neferhotep ganha grande relevância nesse processo, uma vez que sua família foi opositora à reforma promovida por Akhenaton. Algumas dessas transições de governo estão impressas nas paredes dessa tumba.

Segundo o pesquisador Rennan Lemos, que participou de escavações da tumba e continua colaborando com as pesquisas de Pereyra, a sepultura de Neferhotep dá acesso a outras cinco. “A tumba é a principal de um complexo funerário. Há fragmentos de caixões, existem amuletos, múmias e partes de múmias e material das reocupações.”

Lemos diz que houve ali influência de ocupações da população árabe local, e as tumbas eram usadas como casa ou celeiro, onde eram feitas muitas fogueiras. A fumaça enegreceu muitas das imagens e hieróglifos nas paredes, cenas que pouco a pouco estão sendo reveladas pelo uso de laser na redefinição de traços dos desenhos nas paredes. Com a ajuda do Museu Nacional, em breve a documentação completa dessas imagens e hieróglifos poderá contribuir para abrir a tumba para visitação de turistas o mais breve possível.

Retirado na íntegra de:

Refutado mito sobre as profissões femininas no antigo Egito

Uma equipe de cientistas acaba de fazer uma descoberta que pode mudar a opinião dos historiadores sobre as profissões praticadas pelas mulheres no antigo Egito.

Depois de analisarem os dentes de uma mulher egípcia com mais de 50 anos, cientistas da Universidade de Alberta, no Canadá, concluíram que a mulher se dedicava a uma profissão tradicionalmente masculina: artesanato em papiro. Até então, cientistas e historiadores acreditavam que este eram um ofício vetado às mulheres da época.

De acordo com a nova investigação, cujos resultados foram esta semana publicados na revista científica Science, os cientistas analisaram os dentes com mais de 4.000 anos (2181 – 2055 a.C.) e encontraram sinais de desgaste em 16 dos seus 24 dentes.

Nos dois incisivos do maxilar superior foram encontrados vestígios de destruição na forma de uma cunha, enquanto nos outros 14 foram encontrados sinais de abrasão. Este tipo de desgaste, observa o portal de Science Alert, era característico dos artesãos, que utilizavam os dentes para morder o papiro.

Segundo escrevem os cientistas na publicação, a mulher egípcia usava este material vegetal para fazer caixas e cestas, bem como sandálias, cortinas e tapetes.

Dois dos dentes analisados, Lovell & Palichuk, Bioarchaeology of Marginalized People, 2019

Até então, acreditava-se que as mulheres do antigo Egito só poderiam dedicar-se a seteprofissões, de acordo com as inscrições e imagens nas paredes dos túmulos: sacerdotisas, cantoras, músicas, dançarinas, enlutadas [pessoa que está de luto], parteiras e tecelãs.

Os restos analisado, escavados na década de 1970, foram encontrado numa necrópole em Menfis, primeira capital do antigo Egito.
Fonte:

Curitiba vai ganhar um museu totalmente dedicado ao Faraó Tutankhamon




Maior complexo egípcio do país, a Ordem Rosacruz, AMORC, em parceria com o arqueólogo egípcio e cientista Zahi Hawass, por meio do projeto da empresa “Laboratorio Rosso”, da Itália, lançam em Curitiba no segundo semestre desse ano um novo museu: O Rei Menino de Ouro: Tutankhamon. Especialista na história do Faraó Tutankhamon, o professor Zahi Hawass concebeu a ideia e desenvolveu o conceito do novo museu.

Ao contrário do Museu Egípcio e Rosacruz que trabalha uma nova temática para suas exposições a cada dois anos, o novo espaço será totalmente dedicado a expor a história de Tutankhamon apresentando ao público réplicas fiéis às originais de algumas das peças que foram encontradas em sua tumba no ano de 1922. Essas peças foram confeccionadas pelo laboratório do Conselho de Antiguidades do Egito, no Cairo.

Retirado na íntegra de:

Descoberta tumba egípcia de 4.000 anos que parece ter acabado de ser pintada

O Ministério de Antiguidades do Egito revelou a descoberta de uma tumba de 4.000 anos decorada com inscrições e desenhos coloridos na necrópole de Saqqara, ao sul do Cairo. O impressionante, nesta tumba, é que a pintura está vibrante parecendo que as tintas ainda estão frescas


O túmulo provavelmente pertenceu ao nobre chamado Khuwy, da Quinta Dinastia egípcia, período que abrangeu o século 25 a 24 aC.

De acordo com Mohamed Mujahid, chefe da equipe de escavação, a estrutura está projetada em uma distintiva forma de L e inclui um pequeno corredor que leva a uma antecâmara. Outra característica é um túnel de entrada, normalmente encontrado apenas em pirâmides. Mais além está a grande câmara, que abriga os desenhos multicoloridos.


Os tons bem preservados são normalmente associados à realeza. Isso, junto com características estruturais únicas, levaram os arqueólogos a acreditar que talvez Khuwy tivesse um contato próximo com Djedkare Isesi, o faraó daquele período, cuja pirâmide está localizada nas proximidades. Eles podem ter sido parentes, ou a tumba pode ter sido projetada de acordo com as reformas administrativas e de cultos funerários sancionadas pelo governante.

Junto com as representações da tumba, os arqueólogos também encontraram a múmia e os canopos de Khuwy – recipientes usados ​​para conter órgãos do corpo divididos em várias partes.

Com a descoberta, os pesquisadores esperam obter uma visão melhor do reinado de 40 anos de Djedkaré Isesi.

Para a cerimônia de abertura do sítio arqueológico, o ministro Khaled al Enani convidou 52 embaixadores estrangeiros e adidos culturais, bem como a famosa atriz egípcia Yosra.

Este túmulo é apenas o mais recente de uma série de achados arqueológicos do Ministério das Antiguidades egípcio. Em 2018, pesquisadores encontraram outros desenhos excepcionalmente preservados em Saqqara, além de um cemitério de gatos com uma coleção de escaravelhos mumificados.

O país espera que as descobertas ajudem em seus esforços contínuos para reviver a economia turística, que ainda não se recuperou totalmente das revoltas políticas de 2011.

Fonte:

sexta-feira, 29 de março de 2019

Humor faraônico - parte XX









Hórus, pacote completo! 






"E se os deuses egípcios eram na verdade eram vidraceiros?"



 "Bem, obviamente eles eram casados."








                                                                                "Céu
                                                                                  Lado ensolarado da pirâmide
                                                                                  Lado de sombra da pirâmide"    😃😂😂😂😂😂😂😂😂

quarta-feira, 27 de março de 2019

Merneith: Rainha misteriosa na terra dos faraós

A rainha Merneith é uma das pessoas mais disputadas na história do antigo Egito. Ela foi enterrada junto com 118 servos que a seguiram até a vida após a morte. Obviamente, ela deve ter sido uma pessoa importante, mas os historiadores ainda debatem se esse indivíduo intrigante era do sexo feminino ou masculino.

Quem foi a rainha Merneith?

A rainha Merneith viveu provavelmente durante o período de 6000-3150 a.C. O que os historiadores concordam é que ela era a mãe do rei Den, um dos primeiros faraós do Egito unificado. O Rei Den usou o título "Rei do Baixo e Alto Egito" e governou por volta de 2970 a.C.

Tumba Reconstruída da Rainha Merneith

Um selo descoberto no túmulo do rei Den foi gravado com o texto "King's Mother, Merneith". No entanto, determinar a identidade do pai e do marido é mais complicado. É possível, embora nunca tenha sido determinado que ela era filha de Djer, o terceiro faraó da Primeira Dinastia.

Seu marido poderia ter sido o rei Djet, o quarto faraó da Primeira Dinastia, mas isso também é indeterminado. Alguns egiptólogos afirmam que ela era a consorte de Djer e não de Djet. Ainda assim, como o rei Den era filho de Djet, faz mais sentido que a rainha Merneith fosse a esposa do faraó Djet.

O nome da rainha Merneith é mencionado na famosa Pedra de Palermo que indica a lista de reis do Egito antigo.


Pedra de Palermo - O Fragmento CF1, entre outros, o início do reinado de Horus Djer. Créditos: ancient-egypt.org

Isso sugere que com o tempo ela se tornou uma governante por direito próprio. Se fosse esse o caso, ela teria sido a primeira faraó feminina e a primeira rainha reinante na história registrada.

Acredita-se que Merneith governou provavelmente como regente quando seu filho e sucessor, Den, era muito jovem.

Descoberta estranha em Necrópole de Abidós questiona o gênero de Merneith

Enquanto escavavam na necrópole de Abidos, os arqueólogos desenterraram artefatos que mencionavam o nome 'Merneith' (em forma masculina) e 'Merytneith', em forma feminina. Os historiadores estavam enganados? A rainha Merneith era um homem?

Estela da tumba de Merneith do Umm el-Qa'ab. Crédito: Domínio Público

Em Umm El Qa'ab, uma necrópole onde repousavam os reis da Primeira e Segunda Dinastias, os arqueólogos localizaram a tumba da rainha Merneith com a ajuda de duas estelas. Nestas duas estelas, seu nome não está inscrito em "serekh", como os nomes dos reis na época, mesmo que ela fosse incluída na lista de reis. Isso indicou que ela era uma regente, governando por seu bebê, Den. Também não há horus falcon nas estelas, o que mostra que Merneith era uma mulher.

No entanto, isso não explica por que seu nome apareceu em forma masculina e feminina em outros artefatos.

118 servos foram sacrificados para seguir a rainha Merneith na vida após a morte

Em 1900, o famoso arqueólogo e egiptólogo Flinders Petrie examinou o túmulo da rainha Merneth, que era uma das tumbas mais bem preservadas da região. Dentro do túmulo, com tamanho total de 19,2 m x 16,3 m, havia um fosso de barco (vazio), mas ele tinha 17,8 m de comprimento e era grande o suficiente para ter um barco real.

Seu túmulo foi construído em forma de mastaba, só que como um palácio com muitos quartos e portas.

Talvez nunca tenhamos toda a história da rainha Merneith.

Ao lado de seu grande túmulo, havia vários enterros de seus servos. Até 41 homens e 77 servas tiveram que segui-la em sua jornada para a vida após a morte.

O tamanho de seu túmulo sugere que ela era uma mulher de importância (talvez uma monarca reinante) e ela decidiu remover algum tempo. Infelizmente, seu túmulo é um dos muitos que foram saqueados.

A Rainha Merneith viveu há muito tempo e por isso que não há muitos detalhes sobre sua vida e reunir sua história de vida com base em alguns artefatos danificados é extremamente difícil. Infelizmente, a história da misteriosa rainha Merneith está incompleta e é pouco provável que aprendamos mais sobre ela em breve.

Escrito por Ellen Lloyd.

Fonte:
http://www.ancientpages.com/2018/03/20/merneith-mysterious-queen-in-the-land-of-the-pharaohs-could-be-earliest-attested-female-ruler/?fbclid=IwAR12jkFhtScuCD6V19zF91JLcUjnYwWwzErDf1Gi__oLOEUyotdlvaazNQs