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segunda-feira, 5 de abril de 2021

Desfile dos faraós: o translado extraordinário de múmias e reis do Egito pelas ruas do Cairo

Comboio transporta 22 múmias pelas ruas de Cairo para o Museu Nacional da Civilização — Foto: Khaled Desouki/AFP



Neste sábado (3), aconteceu uma parada pública pelas ruas do Cairo, com a exibição de 22 múmias que foram transportadas de um museu para outro na mesma cidade. A exibição foi digna de um evento faraônico e se você que gosta do Egito Antigo não viu, não perca a oportunidade de ver aqui, fotos e vídeo do evento.

Egito: 22 múmias são transportadas para novo museu, no Cairo


O comboio transportou 18 reis e 4 rainhas do Museu Egípcio, no centro da capital egípcia, para o Museu Nacional da Civilização, que fica a cerca de 5 quilômetros de distância.
A parada, que fechou algumas das principais vias da cidade, começou às 18h45 do Cairo (13h45 de Brasília).
As 22 múmias foram colocadas em cápsulas especiais, preenchidas com nitrogênio, para garantir a proteção.
Segundo o arqueólogo Zahi Hawass, os veículos também foram escolhidos com cuidado para dar estabilidade aos artefatos.
"Escolhemos [levar as peças para] o Museu da Civilização porque queremos, pela primeira vez, mostrar as múmias de uma forma civilizada, educada, e não só para diversão, como era o caso do Museu Egípcio", afirma Hawass.

Carro forte transporta a múmia de Seqenenre Taa ao Museu Nacional da Civilização, em Cairo — Foto: Khaled Desouki/AFP

As peças foram transportadas pelas ruas marginais ao rio Nilo. A ideia da parada é criar interesse entre turistas pelas antiguidades do país que por causa das restrições impostas pela Covid-19, o turismo no Egito foi quase todo interrompido.

Imagem de 03 de abril de 2021 do obelisco de Ramsés II, no Cairo, que foi renovado — Foto: Mohamed Abd El Ghany/Reuters


Egito faz desfile nas ruas do Cairo com múmias de faraós


Múmias descobertas em 1871

Essas múmias foram descobertas em 1871, em dois sítios arqueológicos (um deles, o templo de Deir Al Bahari, onde hoje fica a cidade de Luxor, e o outro, perto do Vale dos Reis, o principal local onde os reis eram enterrados no Egito antigo).
A mais antiga das 22 múmias é a de Seqenenre Tao, o último rei da 17ª dinastia, que reinou no século 16 A.C.. Acredita-se que Tao morreu de forma violenta.
A parada também inclui as múmias de Ramsés II, Seti I, e Ahmose-Nefertari.

O museu que vai abrigar as peças fica em Fustat. A região era a capital do Egito durante a dinastia Umayyad, que governou a civilização depois da conquista árabe.
Salima Ikram, um egiptólogo da Universidade Americana no Cairo, afirma que transportar as peças "com pompa" é uma forma de fazer justiça a elas.
"Esses são os reis do Egito, são faraós, e essa é uma forma de mostrar respeito", disse ele.

Pedestres passam em frente a um cartaz que anuncia a parada em que serão exibidas 22 múmias na cidade do Cairo, no Egito, em 3 de abril de 2021 — Foto: Mohamed Abd El Ghany/Reuters

Para assistir ao desfile na íntegra, clique aqui:





Fontes:

segunda-feira, 9 de setembro de 2019

Curitiba inaugura museu dedicado a Tutancâmon com a presença de Zahi Hawass

Novo museu já está aberto ao público. Foto: Letícia Akemi.
Curitiba ganhou neste sábado (7) um novo museu totalmente dedicado a Tutankhamon, o faraó menino do Egito antigo. A inauguração do museu “Rei Menino de Ouro: Tutankhamon”, no complexo da Ordem Rosacruz AMORC, em Curitiba, contou com a presença do secretário-geral do Conselho Supremo de Antiguidades do Egito, o arqueólogo Zahi Hawass, a maior autoridade do mundo na história da civilização egípcia, parceiro na exposição em Curitiba.
O museu reúne 70 réplicas fiéis que retratam as peças originais que foram encontradas na tumba de Tutankhamon em 1922 pelo arqueólogo inglês Howard Carter. As obras foram confeccionadas pelo laboratório do Conselho de Antiguidades do Egito, no Cairo, e reproduzem com realismo inclusive as falhas e imperfeições das peças originais.
Em entrevista pouco antes da abertura do Museu Rei Menino de Ouro: Tutankhamon, Zahi Hawass explicou porque as peças exibidas não são as originais descobertas na tumba do faraó, o que a história ainda deve contar sobre o passado do Egito e como será o Grande Museu Egípcio, que abre as portas em outubro de 2020 perto das pirâmides de Giza.
Confira a entrevista completa que Zahi Hawass deu sobre as réplicas do museu, clicando aqui.
SERVIÇO:

Onde: Museu Rei Menino de Ouro: Tutankhamon (Rua Nicarágua, 2620, Bacacheri)
Entrada: R$24 (inteira) e R$12 (meia-entrada).
Horários:
De terça a sexta das 08h às 12h e das 13h às 17h30
Sábados das 10h às 17h
Domingos das 13h30 às 17h
Feriados das 10h às 17h
*O acesso às instalações dos museus é permitido até meia hora antes do horário de fechamento.

Fontes:

sexta-feira, 26 de julho de 2019

Será possível fotografar gratuitamente em todos os museus egípcios a partir de 1º de agosto

Museu Egípcio em Tahrir.

O Ministério de Antiguidades anunciou que os visitantes dos museus e sítios arqueológicos egípcios poderão tirar fotos usando celulares gratuitamente a partir de 1º de agosto.

O chefe do Conselho Supremo de Antiguidades Mostafa Waziry anunciou que esta decisão ajudará na promoção das Antiguidades Egípcias, sítios arqueológicos e museus.

"Essas fotos promoverão nossa grande e única civilização egípcia antiga e o turismo de melhoria", acrescentou Waziry.

O chefe do Conselho Supremo de Antiguidades acrescentou ainda que o flash móvel não será permitido ao tirar fotos.

"Os visitantes vão postar essas fotos em suas contas de mídia social, espalhando informações sobre nossos museus e apresentando-as ao mundo inteiro, será como uma publicidade gratuita", acrescentou Abdel Razek, diretor do Museu Egípcio.

Fonte:

quinta-feira, 4 de julho de 2019

Busto de Tutancâmon enfrenta venda em Londres apesar do clamor egípcio


A casa de leilões Christie's espera que a relíquia de quartzo de 28,5 centímetros (11 polegadas) atinja mais de US $ 5 milhões - AFP.


Um busto de 3 mil anos de idade do "menino rei" egípcio Tutancâmon vai a leilão na quinta-feira em Londres, apesar de protestos.

A casa de leilões Christie's espera que a relíquia de quartzo de 28,5 centímetros (11 polegadas) atinja mais de 4 milhões de libras (5 milhões de dólares, 4,5 milhões de euros) em um de seus leilões mais polêmicos em anos.

O rosto finamente esculpido do famoso faraó - seus olhos calmos e lábios inchados emitindo uma sensação de paz eterna - vem da coleção privada Resandro de arte antiga que a Christie vendeu pela última vez em 2016 por £ 3 milhões.

Mas autoridades egípcias furiosas querem que a venda seja interrompida e que o tesouro retorne.

A decisão da Christie "contradiz os acordos e convenções internacionais", disse o Ministério das Relações Exteriores do Egito na quarta-feira.

O ex-ministro de antiguidades Zahi Hawass disse à AFP que a peça parece ter sido "roubada" na década de 1970 do complexo do templo de Karnak.

"Achamos que ele deixou o Egito depois de 1970, porque nesse período outros artefatos foram roubados do templo de Karnak", disse Hawass.

Os contadores de Christie nunca haviam expressado o mesmo nível de preocupação com um busto cuja existência foi "bem conhecida e exibida publicamente" por muitos anos.

"O objeto não é, e não foi, objeto de uma investigação", afirmou em comunicado à AFP na quarta-feira.

A casa de leilões publicou uma cronologia de como a relíquia mudou de mãos entre os comerciantes de arte europeus nos últimos 50 anos.

Sua atribuição mais antiga, de 1973 a 1974, a coloca na coleção do Príncipe Wilhelm de Thurn e Taxi na Alemanha moderna.

No entanto, essa conta foi posta em dúvida por um relatório do site de notícias Live Science no mês passado, sugerindo que Wilhelm nunca foi dono da peça.

Wilhelm não era "uma pessoa muito interessada em arte", disse sua sobrinha Daria ao site de notícias.

Um jornalista e historiador de arte que conhecia Wilhelm disse ao site Live Science que o príncipe não tinha nenhuma coleção de artes.

- 'Propriedade clara' -

Acredita-se que Tutancâmon tenha se tornado um faraó aos nove anos de idade e morrido cerca de dez anos depois.

Seu governo provavelmente teria passado sem aviso prévio se não fosse pela descoberta em 1922 do britânico Howard Carter de seu túmulo quase intacto.

A luxuosa descoberta despertou o interesse pelo antigo Egito e preparou o palco para as batalhas subsequentes sobre a propriedade de obras-primas culturais descobertas nos tempos coloniais.

Tutancâmon tornou-se comumente conhecido como Rei Tut e transformou-se no tema de canções e filmes.

As convenções internacionais e a própria orientação do governo britânico restringem a venda de obras que se sabe terem sido roubadas ou desenterradas ilegalmente.

O Museu Britânico vem brigando há décadas com a Grécia por sua notável sala cheia de frisos e esculturas de mármore do Partenon.

A campanha do próprio Egito para recuperar a arte perdida ganhou força após numerosas obras terem desaparecido durante os saques que acompanharam a queda do ex-presidente Hosni Mubarak do poder em 2011.

O Cairo conseguiu recuperar centenas de artefatos saqueados e roubados trabalhando com casas de leilão e grupos culturais internacionais.

Mas o Egito tem sido incapaz de comprovar seu caso com provas firmes de que o busto de Tutancâmon foi obtido ilegalmente.

A Christie's disse à AFP que "não venderá nenhum trabalho onde não haja um título claro de propriedade".

Fonte:

quinta-feira, 13 de junho de 2019

Um filme será gravado no Museu Egípcio de Turim

Uma cena do filme.

O filme "Berni e o jovem faraó", dirigido por Marco Chiarini, se passa no Museu Egípcio, que conta as aventuras e a amizade de dois jovens entre as antiguidades egípcias. O filme será exibido nos cinemas italianos de 20 a 22 de julho e será produzido pela 3ZERO2 e The Walt Disney Company Italia com o apoio da Film Commission Torino Piemonte. 

A história é de Ram (Jacopo Barzaghi), um menino de três mil anos, filho da poderosa dinastia do faraó Ramsés, que é catapultado para o caótico mundo contemporâneo. Um adolescente que foi educado para ser adorado e governado se considera tratado como "diferente". Berenice (Emily De Meyer) é uma jovem que vive em sua pele o desconforto tipicamente adolescente de sempre se sentir fora do lugar e que se encontra envolvida em uma profecia egípcia distante e misteriosa. Através de seu sangue, ele despertará uma múmia no museu egípcio e, juntos, os dois meninos viverão uma emocionante aventura cheia de elementos fantásticos e referências à história do antigo Egito.

Piero Crispino, produtor de 3Zero2: «É um filme particular e único. Pela primeira vez, um filme de fantasia, um gênero que já é uma exceção para o cinema italiano, conta uma história ambientada no belo Museu Egípcio de Turim ». 

Fonte:
https://www.lastampa.it/2019/06/10/cronaca/walt-disney-sbarca-al-museo-egizio-per-le-riprese-di-un-film-V9yt7E7zts9uZ8dPiSCBmO/pagina.html?fbclid=IwAR17p-Lr2sBACpynwdcuy6p1yWhUlqmCEzQ3HQlAau5H2N8UXeGaZwQzeXU

Já gostei desse filme! Tomara que chegue ao Brasil!!!

Múmia egípcia de 2,5 mil anos é identificada no interior do RS

Múmia pode ser visitada na PUCRS — Foto: Édison Hüttner/PUCRS.


A cabeça de uma múmia que integra o acervo de um museu no interior do Rio Grande do Sul foi identificada como de uma mulher egípcia, que viveu há 2,5 mil anos. A múmia de Iret-Neferet estava no Centro Cultural 25 de Julho, em Cerro Largo, Noroeste do Rio Grande do Sul, há mais de 30 anos, sem que ninguém soubesse sua origem.

Segundo o professor Édison Hüttner, que participa do grupo de pesquisadores da PUCRS e do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPQ) que estuda a peça, é a primeira descoberta de uma múmia egípcia no Brasil no século 21. Em 1995, estudiosos da área identificaram a múmia Tothmea, em Curitiba, que está resguardada no Museu Egípcio e Rosacruz.

Depois do incêndio no Museu Nacional, no Rio de Janeiro, são os dois únicos exemplares de múmias egípcias conhecidas no país, salienta o professor. A tragédia acabou destruindo seis múmias que haviam sido compradas pela família imperial.

"O Egito tem nas múmias suas raízes mais profundas", observa o professor, ressaltando a importância da descoberta.

Hüttner conta que encontrou a cabeça quando esteve no Centro Cultural, em 2017, em busca de materiais para outra pesquisa: a que identificou a imagem de São Nicolau, um dos mais antigos exemplos de arte missioneira do Rio Grande do Sul. "Também tem estátuas missioneiras no museu. Estando por ali, vi a cabeça e pensei que poderia ser uma múmia", lembra.

O pesquisador comenta que viu semelhanças entre a cabeça e outras múmias que ele havia visto no Museu do Louvre, em Paris, e no Museu do Vaticano. Ao iniciar a pesquisa, começou a levantar informações que possibilitaram a confirmação da origem.

O primeiro passo da pesquisa foi submeter a cabeça a uma tomografia, exame que já ajudou a identificar outras peças históricas no estado, no Instituto do Cérebro do Rio Grande do Sul. "Vimos ali um detalhe especial, que vendo ela de fora não era possível enxergar", diz o professor Hüttner, sobre a constatação de que foi colocado no crânio um olho artificial, como faziam os egípcios antes de embalsamar seus mortos.

A peça é composta por rocha e seda. "Ela fica iluminada, como se fosse vidro", diz. A descoberta deu origem ao nome da múmia: Iret-Neferet significa "olho bonito" em egípcio antigo. O professor comenta que evidências, como as faixas características das múmias egípcias e um buraco acima do nariz, usado para remover o cérebro, já demonstravam a origem da cabeça.

Análise dentária para estimar a idade

A múmia é de uma mulher de meia idade, com aproximadamente 40 anos, descoberta possível através da análise de um dente encontrado na cabeça, como explica o professor.

O dente foi removido e enviado a um laboratório nos Estados Unidos, que reconstituiu o que seria a arcada dentária da mulher egípcia, e calcular a idade aproximada dela. Iret-Neferet viveu entre o final do Período Intermediário III (1070-712) e o início do Período Tardio (712-332 a.C.) do Egito.

Conforme os resultados de um exame de radiocarbono, a múmia deve ter cerca de 2,5 mil anos.

Próximos passos

A pesquisa das origens de Iret-Neferet seguirá, conforme o professor Hüttner. Agora serão analisados fungos e bactérias encontrados na cabeça, para acrescentar mais dados à identidade dela.

Os pesquisadores também tentarão descobrir a linhagem da múmia, que o professor Hüttner suspeita que possa ter ligação com nobres egípcios. Na Alemanha, há pesquisa de sequenciamento do DNA para tentar chegar a esse resultado. Material deverá ser enviado para lá.

Presente de um egípcio

A cabeça que por anos ficou resguardada ao museu no interior do Rio Grande do Sul foi doada por um morador de Cerro Largo, entre o fim dos anos 1970 e o início dos 1980. Hüttner conta que Marcelino Kuntz entregou a peça pouco antes de morrer de câncer.

Ele, por sua vez, havia ganhado a cabeça de um amigo, que era egípcio, durante uma passagem pelo Rio de Janeiro, na década de 1950, conforme informações repassadas pelo museu. A identidade do egípcio não é conhecida, nem como ele conseguiu a múmia.

"Ele [Marcelino] era um intelectual, tinha conhecimento sobre vários assuntos. Ganhou [a cabeça] nos anos 50 e ficou com ela por todo esse tempo. Morou em São Luiz Gonzaga, Santa Rosa, outros municípios. A múmia sempre acompanhou ele", diz Hüttner.

Kuntz era amigo de Guido Henke, um dos membros do museu que trabalhou na criação do acervo. "Ele ofereceu a múmia, Guido fez uma reunião com a associação [do museu] que decidiu que a acolheriam. Ela estava em uma prateleira simples, dentro de uma caixa de vidro, com uma manta por cima", descreve o pesquisador.

A cabeça de Iret-Neferet pode ser vista na Biblioteca Central Irmão José Otão, no Campus Central da PUCRS, de 11 de junho a 28 de julho, gratuitamente. Além da múmia, estarão expostos objetos e símbolos utilizados nos rituais de mumificação egípcios, proveniente dos museus Egípcio e Rosacruz de Curitiba, no Paraná, e de Arqueologia Ciro Flamarion Cardoso, em Ponta Grossa, também no Paraná. A mostra contará ainda com imagens da história do Egito e banners com conteúdo produzido pelos pesquisadores.

Dimensões da múmia

Cabeça: 21 cm de altura, 19 cm de largura, 21 cm de comprimento, 1.726.47 kg.

Olho: altura: 2,5 cm de largura: 2,6 cm de comprimento, 7.34 gramas.

Fonte:

quinta-feira, 9 de maio de 2019

Museu Nacional resgata 200 peças de sua coleção egípcia

Compartilho a reportagem que você pode ler na íntegra, clicando AQUI, sobre 200 peças que foram resgatadas da coleção egípcia, após o incêndio que destruiu quase tudo do Museu Nacional.

Museu Nacional apresenta peças da coleção egípcia resgatadas dos escombros da instituição - Tomaz Silva/Agência Brasil

"As peças foram dia 7 de maio por pesquisadores do Museu Nacional, que já resgataram cerca de 200 dos mais de 700 itens da coleção egípcia do Museu Nacional. O trabalho de 100 pesquisadores, técnicos, alunos e colaboradores de outras instituições vem revelando que, ao contrário do que sugeriam as primeiras impressões sobre o desastre, muito ainda pode ser salvo da área destruída pelo fogo e pelo desmoronamento dos três andares do Paço São Cristóvão, palácio que serviu de residência à Família Real até o fim do Império.

As 200 peças da coleção egípcia são apenas uma parte das 2,7 mil peças já resgatadas do palácio. Uma das coordenadoras do núcleo de resgate, a paleontóloga Luciana Carvalho enumera que os setores com mais objetos resgatados são a arqueologia, antropologia biológica, etnologia, paleontologia de invertebrados, paleontologia de vertebrados, paleobotânica, mineralogia e petrografia. "Hoje, o processo de resgate está voltado principalmente para essas coleções cientificas", disse.


Boa parte das peças egípcias resgatadas têm sido encontrada na Reserva Técnica da Arqueologia do Museu, área em que as peças estavam armazenadas sem estarem expostas ao público. "A gente consegue encontrar muito do material intacto nas prateleiras e nas gavetas"", de acordo com o pesquisador Pedro Von Seehausen.

Um fato interessante tratado pela reportagem está reproduzido abaixo:



"A sacerdotisa egípcia Sha-Amun-em-Su foi mumificada e sepultada em um sarcófago por volta do ano 750 a.C., e seu caixão ficou lacrado até 2 de setembro de 2018, quando o incêndio do Museu Nacional destruiu parte da maior coleção egípcia da América Latina. Recebida do soberano egípcio por Dom Pedro II, a múmia era a favorita do imperador, e ficava em seu escritório, no palácio que passou a abrigar o Museu Nacional com o fim do Império. Se as chamas destruíram o caixão de madeira policromado e parte dos restos mortais da sacerdotisa, elas também revelaram nove amuletos que haviam sido vistos pela última vez por quem lacrou o caixão de Sha-Amum-em-Su."


Confira a reportagem completa em:

http://agenciabrasil.ebc.com.br/geral/noticia/2019-05/museu-nacional-resgata-200-pecas-de-sua-colecao-egipcia?fbclid=IwAR2oYTmKgkUKzpqPdqWnZcA6LdAc0TVQfR5T7tW0Bk3aT5kLz3ZZipzjsx4





terça-feira, 23 de abril de 2019

Pesquisadores do Museu Nacional irão ao Egito para restaurar tumba

ENTRADA DA TUMBA DE NEFERHOTEP (FOTO: DIVULGAÇÃO)

O Museu Nacional, cujo prédio e coleção foram devastados por um incêndio no ano passado, planeja levar pesquisadores ao Egito para participar da restauração da tumba de Neferhotep, processo que envolve especialistas da Argentina (coordenadores do projeto), Alemanha e Itália. Porém a viagem brasileira, que aconteceria no próximo mês, foi adiada por “algumas questões burocráticas”, segundo a assessoria de imprensa da entidade.

A arqueóloga argentina Violeta Pereyra, professora catedrática da Universidade de Buenos Aires e líder do projeto de pesquisa sobre a tumba, que teve início em 1999, explica que a equipe brasileira deverá iniciar os trabalhos em janeiro de 2020. Pereyra confirmou os entraves burocráticos no Egito: no último ano, foram feitas mudanças na liberação das permissões de trabalho estrangeiro.

Segundo a arqueóloga, que está no Egito trabalhando na restauração, o projeto já está em fase avançada de recuperação, mas ela ressalta a importância da participação brasileira, sob a liderança do professor Antonio Brancaglion — o acordo com o Museu Nacional foi firmado há cinco anos. “A conservação está a cargo de pesquisadores alemães, que têm a capacidade de preservar e conservar a pintura mural. No entanto, para que o monumento possa ser apresentado ao público, é necessário o trabalho de historiadores e arqueólogos, por isso a ideia de convocar os pesquisadores do Museu Nacional, que contou com a melhor coleção egípcia da América Latina, deu possibilidade de desenvolver investigações bem específicas na arqueologia.”

Afirmações como essa têm grande peso no momento por que passa o Museu Nacional. O fogo de setembro passado destruiu não apenas a múmia da sacerdotisa-cantora Sha-amum-em-su, mas uma coleção de 700 peças funerárias, adquiridas tanto por D. Pedro I quanto D. Pedro II. “Acho que isso afetará a formação das futuras gerações de pesquisadores. Isso não significa que não haja outras possibilidades de trabalhar com a coleção, que está muito bem documentada”, afirma Pereyra.

Segundo a egiptóloga, as academias argentina e brasileira têm produzido grandes avanços no estudo da tumba de Neferhotep, chefe dos escribas do Templo de Karnak, contemporâneo do faraó Tutancâmon, que viveu por volta de 1300 a.C.


ARQUEÓLOGAS VIOLETA PEREYRA E NINA VERBEEK NA TUMBA (FOTO: DIVULGAÇÃO)

Os escribas no Egito Antigo eram responsáveis pelo registro de transações comerciais, atos administrativos e religiosos, tendo uma importância visceral para os faraós. E este nobre liderava o templo de Amon, que reuniu o clero mais poderoso do antigo Egito, representando um deus considerado o rei dos deuses e a força criadora da vida. Ele não era tido apenas chefe dos escribas, era chamado de “Escriba e o Grande”. Ainda foi responsável pela administração da manufatura de tecidos em todo o Egito.

Golpe de Estado
Neferhotep tinha a mais alta posição e viveu em um período de grandes mudanças políticas e religiosas, entre o fim do império de Akhenaton e o início do domínio de Tutancâmon. “Nós estamos seguros — e as investigações estão mostrando — que essa tumba é uma boa fonte de informação para documentar o que ocorreu ness
e período”, afirma Pereyra. A tumba está localizada no Vale dos Reis, na Necrópole de Tebas, próxima à margem do rio Nilo, e foi pesquisada pela primeira vez por Norman de Garis Davies, que publicou um estudo em 1933.

Influenciado pelo Deus Sol (Re-Harakti), o faraó Amehotep IV deixou Tebas, a sede do poderoso Templo de Amon (Karnak). Criou uma cidade em Amarna que se chamaria Akhetaton e aboliu os mais de 2 mil deuses do Antigo Egito para existir apenas Aton (o disco solar). Ele próprio mudou seu nome para Akhenaton, “aquele que é favorável a Aton”. Poeta e dedicado às artes, Akhenaton relevou o papel do exército, perdendo territórios e enfurecendo os sacerdotes pela sua mudança religiosa. Essa decisão retirou os poderes da casa de Amon. “Foi o mais próximo [na antiguidade egípcia] que se chegou ao monoteísmo”, diz o egiptólogo Júlio Gralha, professor de História Antiga da Universidade Federal Fluminense (UFF).

José Roberto Pellini, professor da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), afirma que Akhenaton instituiu o culto ao “disco solar” como uma forma de reduzir o poder do clero de Amon, que ficara extremamente poderoso após a expansão do império conduzido pelo faraó Tutmósis III. “Foi uma reforma com fundo político e econômico, porque após a sua morte houve a restituição de todos os deuses. Quando ele muda a religião, quem segue o novo culto ao deus Aton, deus único, é a nobreza e família real.”

Segundo Pereyra, “Akhenaton fez uma mudança na ideologia para tornar o poder mais autocrático e reduzir o poder da elite tebana. Nessa perspectiva, estaríamos praticamente frente a um golpe de Estado, que é a culminação de um longo processo durante a 18ª dinastia”.

E a tumba de Neferhotep ganha grande relevância nesse processo, uma vez que sua família foi opositora à reforma promovida por Akhenaton. Algumas dessas transições de governo estão impressas nas paredes dessa tumba.

Segundo o pesquisador Rennan Lemos, que participou de escavações da tumba e continua colaborando com as pesquisas de Pereyra, a sepultura de Neferhotep dá acesso a outras cinco. “A tumba é a principal de um complexo funerário. Há fragmentos de caixões, existem amuletos, múmias e partes de múmias e material das reocupações.”

Lemos diz que houve ali influência de ocupações da população árabe local, e as tumbas eram usadas como casa ou celeiro, onde eram feitas muitas fogueiras. A fumaça enegreceu muitas das imagens e hieróglifos nas paredes, cenas que pouco a pouco estão sendo reveladas pelo uso de laser na redefinição de traços dos desenhos nas paredes. Com a ajuda do Museu Nacional, em breve a documentação completa dessas imagens e hieróglifos poderá contribuir para abrir a tumba para visitação de turistas o mais breve possível.

Retirado na íntegra de:

Curitiba vai ganhar um museu totalmente dedicado ao Faraó Tutankhamon




Maior complexo egípcio do país, a Ordem Rosacruz, AMORC, em parceria com o arqueólogo egípcio e cientista Zahi Hawass, por meio do projeto da empresa “Laboratorio Rosso”, da Itália, lançam em Curitiba no segundo semestre desse ano um novo museu: O Rei Menino de Ouro: Tutankhamon. Especialista na história do Faraó Tutankhamon, o professor Zahi Hawass concebeu a ideia e desenvolveu o conceito do novo museu.

Ao contrário do Museu Egípcio e Rosacruz que trabalha uma nova temática para suas exposições a cada dois anos, o novo espaço será totalmente dedicado a expor a história de Tutankhamon apresentando ao público réplicas fiéis às originais de algumas das peças que foram encontradas em sua tumba no ano de 1922. Essas peças foram confeccionadas pelo laboratório do Conselho de Antiguidades do Egito, no Cairo.

Retirado na íntegra de:

terça-feira, 19 de fevereiro de 2019

Museu ao ar livre em Dendera


O grande Templo de Dendera é um templo do período greco-romano, construído principalmente de arenito e escavado pelo egiptólogo francês Auguste Mariette, no século 19.

As paredes do templo são adornadas com os nomes de importantes faraós egípcios do Reino Antigo até os reinados de Shabaka na 26ª Dinastia, quando seus muros foram reconstruídos. Em sua forma atual, o templo é em grande parte ptolemaico e romano, sua reconstrução foi iniciada sob a dinastia dos Ptolomeus e completou cerca de 185 anos depois sob o imperador romano Tibério. Ao dedicar um templo a Hathor, deusa da alegria, amor feminino e maternidade, os Ptolomeus honraram uma das divindades mais populares do Egito. O templo também era conhecido como um local de cura, o que provavelmente explica o fato de que ele foi submetido a uma restauração contínua.


Os artefatos em exibição


O Ministério de Antiguidades, em colaboração com uma missão arqueológica francesa, iniciou um projeto na área em torno do complexo, com o objetivo de convertê-lo em um museu a céu aberto.


Mustafa Waziri, secretário-geral do Conselho Supremo de Antiguidades (SCA), disse ao Al-Ahram Weekly que nove grandes blocos de pedra foram instalados para servir de suporte para os blocos, estátuas e estátuas gravadas descobertas na área e deixadas in situ desde sua descoberta inicial.

Os blocos recém-fabricados foram colocados no pátio aberto na entrada do templo, onde uma coleção de estátuas de antigas divindades egípcias foi instalada. Entre essas estátuas estão aquelas da deusa Hathor, do deus Bes e do deus falcão Nekhbet Waawet.

O Templo de Dendera fica a cerca de 60 km ao norte de Luxor, perto de Qena, em um local onde o Nilo faz um laço para o oeste. De acordo com uma inscrição em sua cripta, suas fundações datam da época dos “seguidores de Horus”.

Registros deste período inicial foram encontrados no site inscrito em rolos de couro. Quando o templo foi reconstruído no reinado do Faraó Khufu da Quarta Dinastia, o oficial senão de alto escalão foi responsável pela inauguração da “Navegação de Hathor”, a viagem da deusa a Edfu no mês de Epiphi.

O segundo grande festival em Dendera aconteceu no antigo Dia de Ano Novo, quando a imagem de Hathor, que se acredita ter perdido a eficácia no santuário escuro durante o ano, seria levada ao topo do templo para ser resgatada. imbuído de poder do sol nascente.

Fonte:
Texto adaptado de Nevine El-Araf

quarta-feira, 5 de setembro de 2018

Museu Nacional: O mistério da múmia que 'provocava transe' nos anos 60 e foi consumida pelo fogo

Reportagem de Luis Barrucho, Da BBC News Brasil em Londres:

Kherima tinha os membros enfaixados separadamente, um estilo diferente do que era comum na época em que fora embalsamada.

Entre os 20 milhões de itens que compunham o acervo do Museu Nacional e que foram consumidos pelo fogo no incêndio que começou neste domingo, um em particular despertava grande curiosidade entre os visitantes - e não apenas por sua raridade.

A múmia egípcia Kherima, com cerca de 2 mil anos, foi trazida ao Brasil em um caixote de madeira em 1824 pelo comerciante Nicolau Fiengo. Dois anos depois, foi oferecida em leilão e arrematada por Dom Pedro 1º, que a doou ao então Museu Real, fundado em 1818 e instalado à época no Campo de Santana, na região central da cidade do Rio de Janeiro.

Kherima destacava-se por apresentar membros enfaixados individualmente e decorados sobre linho, o que lhe dava aparência similar à de uma boneca - um estilo de mumificação diferente do da época, menos detalhista, em que os corpos eram "empacotados". Além dela, há apenas oito múmias desse tipo no mundo.

"Esse era um exemplar muito importante, por conta do tipo de enfaixamento, que preservava a humanidade do corpo; no caso, o contorno do corpo feminino", diz à BBC News Brasil Rennan Lemos, doutorando em Arquelogia na Universidade de Cambridge, na Inglaterra, e pesquisador-associado do Laboratório de Egiptologia do Museu Nacional (Seshat).

No entanto, não era apenas essa característica que atiçava o interesse do público. Relatos de quase 60 anos atrás dão conta que Kherima teria provocado transe em quem se aproximava dela.

Na década de 1960, por exemplo, uma jovem teria tocado os pés da múmia e, fora de si, dito que ela pertencia a uma princesa de Tebas chamada Kherima, assassinada a punhaladas.

Já outras pessoas afirmaram ter tido um "mal súbito" quando estavam próximas ao corpo.

Kherima já havia se tornado objeto de culto quando o professor Victor Staviarski, membro da Sociedade de Amigos do Museu Nacional, ajudou a reforçar o misticismo em torno dela.

Controversos, seus cursos de egiptologia e escrita hieroglífica ao som de óperas como Aida, de Giuseppe Verdi, incluíam a presença de médiuns e sessões de hipnose coletiva - ao lado da múmia. Naquela época, alunos podiam tocá-la - e as reações inesperadas que resultavam desse contato alimentaram o imaginário popular.

"Algumas pessoas diziam que conversavam com a múmia e ela respondia. Em uma dessas conversas, ela teria dito que seria uma princesa do Sol, mas isso não faz o menor sentido científico, porque esse não era um título do Egito Antigo", acrescenta Lemos.

Técnicas de tomografia permitiram verificar que Kherima era filha de um governador de Tebas, importante cidade do Egito Antigo. Segundo a pesquisa, ela tinha entre 18 e 20 anos e viveu durante o Período Romano no Egito, entre os séculos 1 e 2. A causa de sua morte nunca foi identificada.

O processo foi acompanhado na época por Sheila Mendonça, ex-aluna de Staviarski, atualmente vice-diretora de Pesquisa e Desenvolvimento Tecnológico da Escola de Saúde Pública da Fiocruz. Contatada pela BBC News Brasil, ela afirmou estar "muito emocionada" e sem condições de falar por causa da "enorme perda" do acervo do museu.

Museu Nacional do Rio pegou fogo na noite de domingo. Extensão da tragédia/REUTERS

Um incêndio de grandes proporções atingiu o Museu Nacional na noite do último domingo, considerado a antiga instituição científica do Brasil e maior museu de História Natural e Antropologia da América Latina.

Além de Kherima, outros importantes objetos teriam sido consumidos pelas chamas, como o fóssil humano mais antigo encontrado no Brasil, batizado de Luzia; o esqueleto Maxakalisaurus topai, primeiro dinossauro de grande porte a ser montado no país, e o Trono de Daomé, que pertenceu ao rei africano Adandozan (1718-1818) e foi doado por embaixadores do monarca ao príncipe regente Dom João 6º, em 1811.

Outra múmia, o da cantora-sacerdotisa egípcia Sha-amun-en-su, também foi reduzida a cinzas. Foi um presente que Dom Pedro 2º recebeu, em 1876, em sua segunda visita ao Egito.

Com mais de 700 peças, a coleção de arqueologia egípcia do Museu Nacional era considerada a maior da América Latina e a mais antiga do continente - com múmias e sarcófagos. Acredita-se que todo o acervo tenha sido perdido.

Retirado na íntegra de:

Quem não protege nossa arte deve devolvê-la, diz arqueólogo egípcio sobre incêndio no Museu Nacional

Famoso por participação em documentários, Zahi Hawaas participa de movimento por repatriação de objetos egípcios. Direito de imagem ZAHI HAWAAS/DIVULGAÇÃO. 

Ex-ministro de Antiguidades do Egito, o arqueólogo Zahi Hawass diz que o incêndio que destruiu boa parte do acervo do Museu Nacional - que incluía a maior coleção de arte egípcia da América Latina - foi uma tragédia também para seu país.

"Como pode um grande museu numa cidade tão grande ficar desguarnecido e desprotegido contra incêndios?", questiona Hawass em entrevista à BBC News Brasil.

"Foi uma falha da equipe do museu ou do governo? Não sei, mas foi um crime que nos faz lamentar muito", afirmou.

Segundo o arqueólogo, "todo museu no mundo faz testes de incêndio para garantir que o sistema de alarme funcione". Ele diz que a tragédia legitima o movimento pela repatriação de objetos egípcios em museus espalhados pelo mundo. "Se eles não forem protegidos, deverão voltar à terra mãe", diz.
Campanha pelo retorno da arte egípcia

Famoso por suas participações em documentários sobre o Egito Antigo, Hawass ganhou ainda mais visibilidade nos últimos anos ao endossar uma campanha pelo retorno da arte egípcia presente em outros países.

Sarcófago da Dama Sha-Amun-em-su era uma das principais peças da coleção egípcia do Museu Nacional. Direito de imagem ANTONIO BRANCAGLION/MUSEU NACIONAL.

Após dirigir instituições responsáveis por alguns dos principais monumentos egípcios - como as pirâmides de Gizé e as ruínas de Saqqarah e Al-Wāḥāt al-Baḥriyyah -, ele foi nomeado em 2002 secretário-geral do Conselho Supremo de Antiguidades, órgão do governo responsável pela preservação do patrimônio.

Em 2011, Hawass chefiou por alguns meses o Ministério de Antiguidades após a criação do órgão, até a queda do presidente Hosni Mubarak, em meio à Primavera Árabe.

Ele diz que visitou o Museu Nacional, no Rio de Janeiro, em 2009. "Eu vi como as crianças de escolas corriam para ver as múmias e pude ver que os artefatos eram muito importantes", afirma.

Entre os 700 itens da coleção egípcia, havia sarcófagos, estátuas, amuletos, bronzes e múmias - a maioria dos períodos mais tardios da história egípcia, como o Reino Novo (1550 AC a 1077 AC) e o Terceiro Período Intermediário (1069 AC a 664 AC).

Esquife de Hori integra a coleção adquirida por D. Pedro 1º e é provavelmente oriunda de Tebas. Direito de imagemMUSEU NACIONAL. 

Segundo Hawass, a melhor peça da coleção era o esquife (sarcófago) de uma cantora do santuário do deus Amun chamada Sha-Amun-em-su. O objeto, com 1,58 metro, data da 23ª Dinastia (cerca de 750 AC) e foi presenteado pelo Quediva (vice-rei) do Egito, Ismail, ao imperador D. Pedro 2º durante sua viagem ao Egito, em 1876.

O arqueólogo destaca ainda a coleção de gatos e crocodilos embalsamados e "uma múmia muito peculiar de uma rainha do Período Romano" (entre os séculos 4 e 6).
Coleção egípcia do Museu Nacional

Hawass diz que as peças do Museu Nacional não estavam entre as coleções que arqueólogos egípcios tentam repatriar, pois "muito desses itens deixaram o Egito como presentes ou num período em que o comércio de antiguidades era legal no país".

Vários objetos que o movimento pretende recuperar saíram do Egito quando a nação era um protetorado britânico (1882-1953) e potências europeias enriqueciam os acervos de seus museus com objetos retirados das colônias.

Entre os itens mais cobiçados estão a Pedra de Roseta, hoje no Museu Britânico (Londres), e o busto da rainha Nefertiti, do Museu Egípcio de Berlim.

Peça que pertencia ao sarcófago de uma mulher e integra a coleção egípcia do Museu Nacional. Direito de imagem MUSEU NACIONAL.

Há movimentos pela repatriação de objetos artísticos em vários países. No Brasil, pesquisadores, autoridades e indígenas tentam recuperar vários fósseis e artefatos que estão em museus estrangeiros - como os mantos tupinambás, exuberantes peças de plumária cujos últimos seis remanescentes estão na Europa.

Embora a coleção do Museu Nacional não estivesse na mira dos arqueólogos egípcios, Hawass diz que a destruição do acervo reforça o movimento pela repatriação de objetos.

"Este incidente nos permite pedir à Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura) para que países com coleções no exterior, e museus no exterior, tenham controle sobre essas coleções, para que possamos garantir que esses objetos sejam protegidos e restaurados adequadamente."

E se os museus estrangeiros não forem capazes de garantir a segurança e conservação dos objetos, o arqueólogo defende que sejam devolvidos à terra natal.

"Acho que essa é uma decisão que a Unesco pode tomar, porque o incêndio foi devastador para todos nós."

Fonte:

terça-feira, 4 de setembro de 2018

Todo o acervo da coleção egípcia do Museu Nacional foi perdido em incêndio. Apenas 10% do total resistiu

Exemplar do acervo egípcio que havia no museu antes do incêndio. (Foto: Alexandre Macieira/Riotur/Fotos Públicas)


Após um dia do incêndio que devastou praticamente todo o acervo do Museu Nacional, pesquisadores ainda tentam levantar o material que foi perdido. A estimativa é de que apenas 10% tenha resistido. No início do tarde, o geógrafo Renato Cabral Ramos informou que toda a coleção egípcia, inclusive as múmias, foi perdida. Mas uma das peças mais importantes, “Luzia”, o crânio humano mais antigo já encontrado no Brasil, continua desaparecido.

“Torço que ela tenha ficado intacta. Que tenha sobrevivido, mas é impossível dizer algo agora”, falou.

Segundo funcionários, “Luzia” estava guardada dentro de um caixa de metal, no interior de um armário, no primeiro andar. Na ala dos fundos do museu. O armário está sob escombros, por isso não é possível saber seu estado.

“Ainda ha focos de incêndio e fumaça. Meu cálculo é de que apenas 10% do acervo resistiu. Sobre Luzia é impossível dizer se sobreviveu”, afirmou a vice-diretora do museu, Cristiana Serejo.

O crânio foi achado nos anos de 1970 em Lagoa Santa, Minas gerais. É um das mais importantes descobertas e de valor inestimável. É o registro das primeiras populações humanas que habitaram o Brasil há 11 mil anos.

Segundo Cristiana Serejo, a biblioteca de Antropologia e de Ciências Sociais do museu, a maior da UFRJ, também foi destruída. Pelas redes sociais, há relatos de que o acervo de Línguas Indígenas, com gravações desde 1958 dos cantos em muitas línguas sem falantes vivos, papéis, fotos, negativos, o mapa étnico-histórico-linguístico original com a localização de todas as etnias do Brasil, – único registro datado de 1945 – também não sobreviveu.

Peças que resistiram

Em meio a tantas notícias ruins, os pesquisadores tiveram um pequeno alento. Alguns funcionários entraram junto com a Defesa Civil no prédio e conseguiram resgatar um quadro de Marechal Rondon. A pintura em óleo, que está coberta de fuligem, pode ser restaurada, acreditam. Ela é do início do século XX, e mostra o Marechal Rondon fardado. Segundo pesquisadores, o laboratório de restauração também não foi atingido pelas chamas.

Ao longo do dia, alguns funcionários puderam entrar no prédio e conseguiram resgatar outras peças que não foram destruídas.

Egito e Peru ofereceram ajuda

Além da ajuda oferecida pelo presidente da França França, o Brasil recebeu do Ministério de Relações Exteriores do Egito e o governo do Peru o oferecimento de apoio técnico para recuperação do acervo do Museu Nacional do Rio de Janeiro, quase totalmente destruído por um incêndio iniciado no domingo. O governo egípcio ainda pediu às autoridades brasileiras informações sobre o estado das peças arqueológicas egípcias que faziam parte da coleção do museu.

De acordo com as informações do Ministério de Relações Exteriores, em um comunicado, a pedido do Ministério de Antiguidades egípcio, o contato foi feito por meio da Embaixada do Egito em Brasília para que esclareça em que estado se encontram as peças procedentes do país.

Além disso, o Egito expressou sua disposição de proporcionar ao Brasil, por meio do Departamento de Antiguidades, “a experiência técnica no âmbito de proteção do patrimônio e restauração de todo tipo de peças arqueológicas” de todas as épocas.

A pasta de Exteriores acrescentou que o governo egípcio se interessou por esses objetos depois de ter se informado das notícias de “um grande incêndio no Museu Nacional de Rio de Janeiro” e “dos danos severos que sofreram as peças arqueológicas conservadas no Museu”.

Considerou o incidente como “uma grande perda de um patrimônio mundial de valor incalculável”, pela qual expressou seu “apoio absoluto” ao Brasil após o incêndio.

O governo do Peru lamentou nesta segunda-feira (3) “o incêndio devastador” ocorrido no Museu Nacional do Rio de Janeiro e manifestou sua disponibilidade “para cooperar no que for possível” para lidar com a situação.

O Ministério dos Negócios Estrangeiros peruano lembrou que o museu era “a mais antiga instituição científica do Brasil”, razão pela qual lamentou “a irreparável perda do acervo histórico e do patrimônio por trás deste trágico incidente”.

“O Peru expressa sua solidariedade e disposição de cooperar em tudo o que for viável para enfrentar essa situação, a qual, felizmente, não deixou vítimas para se lamentar”, concluiu.

Retirado na íntegra de:

segunda-feira, 3 de setembro de 2018

Incêndio destrói Museu Nacional e com ele o maior acervo egípcio da América Latina

Foto mostra a tentativa de conter o incêndio no Museu Nacional no Rio de Janeiro (Foto: Reuters/Ricardo Moraes)


Um incêndio de grandes proporções destruiu o Museu Nacional, na Quinta da Boa Vista, em São Cristóvão, Zona Norte do Rio.


O fogo começou por volta das 19h30 deste domingo (2) e foi controlado no fim da madrugada desta segunda-feira (3). Mas pequenos focos de fogo seguiam queimando partes das instalações da instituição que completou 200 anos em 2018 e já foi residência de um rei e dois imperadores.

A maior parte do acervo, de cerca de 20 milhões de itens, foi totalmente destruída. Fósseis, múmias, registros históricos e obras de arte viraram cinzas. Pedaços de documentos queimados foram parar em vários bairros da cidade.


Segundo a assessoria de imprensa do museu e o Corpo de Bombeiros, não há feridos. Apenas quatro vigilantes estavam no local, mas eles conseguiram sair a tempo.



As causas do fogo, que começou após o fechamento para a visitantes, serão investigadas. A Polícia Civil abriu inquérito e repassará o caso para que seja conduzido pela Delegacia de Repressão a Crimes de Meio Ambiente e Patrimônio Histórico, da Polícia Federal, que irá apurar se o incêndio foi criminoso ou não.



Falta d'água atrapalhou bombeiros



Pesquisadores e funcionários do Museu Nacional se reuniram com o Corpo de Bombeiros para tentar auxiliar no combate das chamas. O objetivo era orientar o trabalho dos bombeiros numa tentativa de impedir que o fogo chegasse a uma parte do museu que contém produtos químicos. Alguns deles são inflamáveis e usados na conservação de animais raros.


Bombeiros precisaram pedir caminhões-pipa para auxiliar no combate ao incêndio. Segundo o comandante-geral, coronel Roberto Robadey Costa Junior, a falta de carga em hidrantes atrasou o trabalho em cerca de 40 minutos. Foi necessário retirar água do lago que fica na Quinta da Boa Vista para ajudar no controle das chamas.



Falta de verba e reforma


Apesar de sua importância histórica, o Museu Nacional também foi afetado pela crise financeira da UFRJ e está há pelo menos três anos funcionando com orçamento reduzido, segundo reportagem de maio do Bom Dia Brasil de maio deste ano.


A situação chegou ao ponto de o museu anunciar uma "vaquinha virtual" para arrecadar recursos junto ao público.para reabrir a sala mais importante do acervo, onde fica a instalação do dinossauro Dino Prata. A meta era chegar a R$ 100 mil.

De acordo com uma reportagem da Globo News, um relatório diagnóstico feito há 6 anos apontava que no museu haviam fios desencapados, infiltrações, vazamentos, cupins, rachaduras, etc.


O diretor-adjunto do museu, Luiz Fernando Dias Duarte, disse que desde 2008 as verbas concedidas começaram a cair muito. E que 1/4 da verba de um dos estádios seria suficiente para dar conta de toda a reforma necessária.


Dois séculos de história



O Museu Nacional é uma instituição autônoma, integrante do Fórum de Ciência e Cultura da Universidade Federal do Rio de Janeiro e vinculada ao Ministério da Educação. Como museu universitário, vinculado à Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), tem perfil acadêmico e científico.


O museu contém um acervo histórico desde a época do Brasil Império. Destacam-se em exposição:

- o mais antigo fóssil humano já encontrado no país, batizada de "Luzia", pode ser apreciado na coleção de Antropologia Biológica, entre outros;

- a coleção egípcia, que começou a ser adquirida pelo imperador Dom Pedro I;
- a coleção de arte e artefatos greco-romanos da Imperatriz Teresa Cristina;
- as coleções de Paleontologia que incluem o Maxakalisaurus topai, dinossauro proveniente de Minas Gerais.


Sobre o acervo egípcio

Com mais de 700 peças, a coleção egípcia do Museu Nacional era considerada a maior da América Latina e a mais antiga do continente - com múmias e sarcófagos.

O caixão de Sha Amun en su era uma das atrações mais populares da seção. Dom Pedro II o ganhou, em 1876, em sua segunda visita ao Egito.

Coleção de múmias egípcias do Museu Nacional foi arrematada por D.Pedro é a maior da América Latina

Retirado parcialmente na íntegra de: