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terça-feira, 25 de setembro de 2018

Alguns aspectos do cristianismo já estavam presentes no antigo Egito

José Ramón Pérez-Accino, en el Valle de las Momias Reales / LVA



Doutor e professor de História Antiga e Arqueologia da Universidade Complutense de Madrid, José Ramón Pérez-Accino lidera um projeto de pesquisa na Necrópole de Tebas, antiga capital egípcia, focada em um túmulo em que foram encontradas cerca de quarenta múmias de mulheres da realeza. 

De acordo com o professor, quando indagado sobre a imagem que as pessoas tem do Egito, ele respondeu:
- Uma imagem distorcida do país. O Egito é muito mais que isso. A civilização faraônica durou 3.000 anos, o que dá muito. Quando os gregos tinham algo a dizer, o Egito já contava histórias há 2.500 anos e algumas de suas tradições foram adotadas pela cultura ocidental através da Grécia. Nossas raízes afundam no Egito.
Alguns aspectos centrais do cristianismo, como a salvação ou a Eucaristia, já estavam presentes na cultura faraônica. A salvação veio de Hórus, cujo pai, Osíris, morreu depois de sofrer paixão, e a divindade foi ingerida na forma de pão. E embora houvesse muitos deuses, todos eles tinham partes de outros.
Em contraste, o Egito não figura nos livros didáticos.
As bases da cultura que identificamos com o mundo greco-romano foram forjadas durante a Idade Média e a Renascença, com base na Bíblia e na Grécia Clássica, as fontes mais antigas de conhecimento que então existiam. O Egito parecia algo negro, mágico e maligno que precisava fugir. O que aconteceu é que seus textos não puderam ser lidos até 1822, quando Champollion decifrou o hieróglifo. A partir de então, seu grande conhecimento filosófico, arquitetônico, matemático, astronômico e médico e sua sólida estrutura social começaram a aparecer. Eles operavam crânios e tinham um sistema judicial e até de saúde.

Quando indagado sobre o que mais o fascinava no antigo Egito?
- Sua capacidade de manter uma ordem social estável e bem organizada por 3.000 anos e sua concepção de vida e morte.

A entrevista continua sobre o projeto no Vale das Múmias Reais:

Qual é o projeto que acontece no Vale das Múmias Reais?
- Forma parte da necrópole de Tebas, o atual Luxor. Em 1881 foi descoberto um túmulo com cerca de quarenta múmias reais das dinastias XVIII e XIX, por volta do ano 1500 a.c. A tumba também data daquela época, mas as múmias só se mudaram para lá cerca de quinhentos anos depois. Até então eles estavam no Vale dos Reis.

Por que eles se mudaram?
- É um dos objetivos do projeto. Pensou-se que era para escondê-los. Na verdade, é conhecido como The Royal Hideaway de Deir el Bahari. No entanto, estamos em posição de argumentar que não era um esconderijo, que todos sabiam que as verdadeiras múmias estavam lá. A transferência poderia ter um componente de segurança, mas havia outra coisa.

Que mais?
- Não pode ser contado ainda. O governo egípcio nos pede cautela. A única coisa que pode ser dito no momento é que eles não estavam escondidos, o que é uma mudança de paradigma na interpretação da história da necrópole tebana.

E sobre a pergunta que nunca quer calar:

A questão é inevitável. Existe uma tese sólida que esclarece como as pirâmides foram levantadas?
- O que está claro é que os trabalhadores não eram escravos. De fato, no Egito não havia escravidão como tal. As pessoas que ergueram as pirâmides ficaram encantadas com isso, e o trabalho não foi muito mais difícil do que o campo. Existem muitas teorias, algumas plausíveis, outras nem tanto e muitas impossíveis. Aqueles que desfrutam de maior aceitação e significado são aqueles que apontam para eles serem feitos de dentro por rampas internas que seriam cobertas. Demonstrar isso envolveria o desmantelamento das pirâmides e, felizmente, ninguém está no negócio. Portanto, devemos esperar pelos avanços da ciência para esclarecer o mistério.

Fonte:

quinta-feira, 5 de abril de 2018

O Rei Tut | Avan Jogia fala sobre a minissérie, Ben Kingsley e filmar batalhas no calor do deserto

Para quem ainda não assistiu à minissérie TUT e para os fãs segue a entrevista de Avan Jogia ao site Omelete.


Ator comentou sobre a precisão histórica da trama e muito mais

07/11/2015 - 10:00 - EDERLI FORTUNATO

Há um fino ato de equilíbrio em uma produção histórica. Pouca dramatização e o resultado pode ser bem insípido e pouco atraente para o público. Ficção demais e perde-se justamente o que a história oferece: oportunidade de contar algo que realmente aconteceu e influenciou a vida que levamos hoje. O Rei Tut é a mais nova candidata ao desafio, misturando fatos e ficção para contar a vida do mais famoso dos faraós do Egito, Tutancâmon, que subiu ao trono ainda garoto e morreu muito jovem. Quis a história que seu túmulo ficasse perdido por séculos para ser descoberto por Howard Carter somente em 1922, quando o tesouro que o sumiço fez ficar a salvo dos ladrões de túmulos fascinou o mundo e a morte de várias pessoas envolvidas na descoberta, incluindo o patrocinador de Carter, Lorde Carnarvon, criou a lenda da maldição do faraó.

Dirigida por David Von Ancken (Californication, Cold Case) O Rei Tut acompanha Tutancâmon desde sua ascensão ao trono, aos nove anos, até sua morte misteriosa. Filmada em locações no Marrocos, a minissérie recria o Egito dos faraós como um grande épico, repleto de intrigas de bastidores, jogos de poder e um Tutancâmon um pouco diferente do que os historiadores descrevem. Ator de iCarly, Victorious e Caprica, o canadense Avan Jogia falou com a imprensa internacional sobre a série, os colegas de elenco e como se preparou para interpretar Tutancâmon.

Quanto do roteiro de O Rei Tut é historicamente exato?

O que queremos fazer é entreter usando fatos históricos, construindo a partir deles a história de um garoto que está lidando com a pressão de ter sido coroado tão jovem. Para nós, é muito importante mostrar como era a vida naquela época e também tornar a história interessante de outras formas. Um exemplo é que talvez Tut não tenha sido exatamente um rei guerreiro, mas em nossa versão da história ele é. Há muita coisa que não sabemos sobre essa civilização de 3 mil anos de história, então é basicamente um casamento entre entretenimento e fatos históricos.

Você trabalha com dois atores de Game of Thrones. Vê alguma influência da série de George R.R. Martin em O Rei Tut?

O material é de uma escala muito diferente. Alexander Siddig e Nonso Anonzie também fazem papéis muito diferentes do trabalho deles em Game of Thrones, mas são atores espetaculares e com grande impacto na minissérie.

Acha que a TV está vivendo uma era de ouro?

Talvez. É difícil dizer, vivemos numa época em que tudo é transitório e muda muito. O celular com o qual estamos conversando vai estar ultrapassado em um ano. A civilização egípcia, pelo bem ou pelo mal, não mudou ao longo de três mil anos. Eu não sei, você nunca sabe o que vai acontecer, só depois é que pode olhar para trás e dizer se foi um ano bom ou ruim.

Como você vê a escalação de pessoas de diferentes etnias na série?

Acho importante que as pessoas saibam que o Egito tinha uma diversidade maior do que algumas sociedades atuais devido ao deslocamento das pessoas e ao seu tamanho, era um império enorme. Nessa história em particular era importante ter todos os grupos diferentes representados. Para o nosso enredo é algo crítico.

Qual o seu maior desafio nas filmagens?

A série tem muita ação, muita coisa que eu nunca havia feito antes como cavalgar, conduzir os carros de batalha, luta com espadas e todas essas coisas. Vários desafios, mas como ator eu tenho uma regra, se alguma coisa o amedronta, você provavelmente deveria fazê-lo. Eu fiquei com medo de algumas coisas, mas me diverti muito e aprendi rápido. O mais difícil foi usar uma armadura no calor de 34ºC debaixo do sol, num lugar muito seco, correndo o tempo todo com uma espada na mão. Numa história moderna, você está o tempo todo dentro de casa com o café ao alcance da mão. [risos] Filmar no deserto testa seus limites.

O que você descobriu sobre Tutancâmon e o Egito durante sua preparação para a série?

Eu pesquisei o sistema monárquico e como eles acreditavam no sangue sagrado, na divindade dos reis, o que achei muito interessante, porque Tutancâmon foi uma pessoa real, mas ele era considerado um deus entre os homens. Isso criava muita pressão sobre Tut. O lado humano de um personagem como esse não é tanto interpretar um rei no comando de seu exército ou coisa assim, mas uma pessoa presa a essas pressões.

Você é um ator que sugere alterações durante as filmagens?

Eu diria que num papel como esse, onde o diálogo é muito, muito crucial e há esses longos discursos, sendo o orador, uma pessoa que fala todo o tempo, eu não gosto de alterar as palavras, eu gosto que elas sejam bem específicas e alinhadas antes da filmagem. Em outros trabalhos que faço, eu gosto de fazer mudanças, pequenas alterações e ajustes, trabalhos modernos ou contemporâneos. Mas em uma produção histórica, as palavras são importantes e você tem de confiar nelas. Então aqui eu sigo o roteiro.

Como foi trabalhar com Ben Kingsley, que tipo de relacionamento vocês tiveram durante as filmagens?

Trabalhar com Sir Ben Kingsley foi uma alegria. Ele sempre foi um ídolo para mim, eu cresci admirando o trabalho dele e poder atuar com seu ídolo é tanto apavorante quanto recompensador. Ele foi muito generoso, gentil, disposto a ajudar e me aceitou como colega de profissão. Trabalharmos juntos tornou possível mostrar as sutilezas e idiossincrasias dos nossos personagens. Ele é muito profissional, como eu gosto de ser, e nos tornamos muito próximos. Ele é um ator maravilhoso, um dos maiores atores vivos.

Você já conhecia Alexander Siddig?

Eu o vi em Star Trek - A Nova Missão e conhecia seu trabalho muito bem. Ele é um homem gentil e apaixonado que trabalha muito duro, ensina através do próprio trabalho e lidera pelo exemplo. É divertido e inspirador trabalhar ao lado dele e nos divertimos durante as filmagens no Marrocos. Não havia muito o que fazer além de trabalhar, então formamos um grupo bem unido.

O que Tut tem que as pessoas ainda não tenham visto?

O Império Egípcio é um cenário mal explorado devido à sua grandiosidade. Esse povo construiu alguns dos maiores monumentos de todos os tempos e tentar criar isso da forma correta exige um orçamento apropriado. A área diante do palácio tem o comprimento de dois campos de futebol, os carros de guerra são todos feitos à mão e as portas que abrem para o pátio pesam duas toneladas cada uma. Então, para mim, o mais importante e interessante é que tudo foi feito a mão e acho que é único de alguma forma.

Este é seu primeiro drama histórico. Está pronto para outros?

Sem dúvida. Eu fiquei feliz de voltar e fazer alguns filmes depois de Tut, alguns trabalhos contemporâneos, mas tem alguma coisa em colocar uma armadura, a mágica do cinema, o escapismo. É por isso que eu gosto de cinema, eu gosto de filmes contemporâneos que mostram a realidade, mas eles também são uma fuga, e é por isso que eu gosto de filmes e séries históricas. Espero fazer outras no futuro.

Você atuou em várias produções juvenis. Acha que agora passará a papeis mais adultos?

Eu estou mais velho, então houve uma progressão natural no trabalho que eu tenho feito desde projetos adolescentes e um pouco para jovens. Tem sido muito natural e eu tenho tido muita sorte. Não escolho projetos pensando se vão avançar minha carreira de certa forma. Uma das coisas de ser um ator é ser o mais versátil que puder, interpretando papéis diferentes e não acho que eu tenho de me colocar numa caixa e fazer apenas dramas adultos. Eu quero fazer tudo o que puder.






quarta-feira, 4 de abril de 2018

Museu Egípcio recebe empréstimo do Japão para concluir a obra para a inauguração



No lado oposto do complexo da pirâmide de Gizé, o Grande Museu Egípcio está sendo construído, ele é planejado para ser o maior museu do mundo, com o objetivo de atrair 5 milhões de visitantes anualmente em sua primeira fase e 10 milhões na segunda fase.

O museu inclui serviços comerciais e recreativos, centros de restauração e um jardim onde haverá espécies especiais de árvores expostas que costumavam ser plantadas no antigo Egito. O custo do projeto é estimado em US $ 1 bilhão, dos quais o Japão ofereceu US $ 300 milhões como um empréstimo em condições favoráveis. O museu deverá apresentar mais de 100.000 artefatos das eras faraônica, grega e romana, o que impulsionará grandemente o setor de turismo no Egito. O museu deve ser parcialmente inaugurado no segundo semestre deste ano.

O diretor-geral do Grande Museu Egípcio, Tarek Tawfik, falou ao Daily News do Egito sobre os preparativos para a abertura do museu e os desafios e obstáculos enfrentados por sua liderança na fase de construção.

O que foi realizado até agora no Grande Museu Egípcio?
Concluímos as obras de concreto e metal, enquanto o acabamento interno e externo, as principais praças e as estradas que levam ao museu serão concluídas em algumas semanas. O novo Aeroporto Oeste do Cairo estará perto do Grande Museu Egípcio e isso contribuirá para um maior fluxo turístico para Gizé.

O diretor-geral do Grande Museu Egípcio, Tarek Tawfik, falou ao Daily News do Egito sobre os preparativos para a abertura do museu e os desafios e obstáculos enfrentados por sua liderança na fase de construção. (Foto DNE)

Quais foram os principais desafios enfrentados na construção do museu e como você os superou?
A natureza da localização do museu era um obstáculo, mas conseguimos superar esse problema.

Quais os preparativos para a abertura do museu?
A estátua icônica de Ramsés II, transferida da Praça Ramsés, será a primeira coisa que os visitantes verão na entrada principal do museu, seguida pela grande escadaria, que contará com cerca de 87 artefatos, incluindo estátuas e elementos arquitetônicos. Ele levará aos dois salões de Tutancâmon, que foram construídos em uma área de 7.000 metros quadrados. Eles incluem 5.000 artefatos, dos quais 4.200 peças já foram enviadas para os armazéns e laboratórios do Grande Museu Egípcio. Apenas os grandes artefatos de Tutancâmon ainda estão em exibição no Museu de Antiguidades Egípcias na Praça Tahrir, e eles serão transferidos para o Grande Museu Egípcio logo antes da inauguração. A exposição teatral de Tutancâmon na primeira fase do museu foi preparada em paralelo, e tomamos medidas sérias para concluí-la em breve.

Como você está se preparando para a abertura e quando você espera que seja?
A inauguração será no segundo semestre de 2018. Atualmente, estamos coordenando com todos os órgãos envolvidos, principalmente os Ministérios de Antiguidades e Turismo, o gabinete e a presidência, para determinar a data apropriada da inauguração. Nosso objetivo é abrir a primeira fase na próxima temporada turística de 2018. Nós assistimos recentemente a enorme abertura do Louvre Abu Dhabi, e pretendemos capturar a atenção do mundo através da cerimônia de abertura do Grande Museu Egípcio, beneficiando da localização única do museu ao lado das pirâmides de Gizé. Esperamos 5 milhões de visitantes anualmente na primeira fase do museu e 10 milhões na segunda fase, dois anos depois. O presidente egípcio e vários líderes mundiais devem participar da cerimônia de abertura, incluindo o imperador do Japão ou seu representante e o presidente indiano.

Que medidas você tomou para restaurar os artefatos que serão apresentados no museu?
Apresentaremos uma proposta global em breve para a preparação dos dois salões principais. Também definimos o layout para apresentar monumentos enormes que serão colocados no átrio principal. Concordou-se que 87 monumentos e pinturas deveriam ser colocados lá. Estávamos planejando apresentar mais do que isso, mas reconsideramos o número de monumentos, levando em conta a dimensão visual da escada, o tamanho de cada peça e a distribuição que permitiria aos visitantes entender a história de cada artefato.

Como você vê a crítica da abertura parcial do museu, em vez de uma abertura total?
Respeito todos os pontos de vista, mas é normal que grandes projetos sejam abertos em fases. A abertura parcial será espetacular e contará com mais de 5.000 artefatos, que é maior do que qualquer outra abertura completa de museus nos principais países estrangeiros. Portanto, essa abertura parcial pode ser considerada uma abertura completa do museu.

Qual é a área total da primeira fase?
O átrio principal, a grande escadaria e os dois salões de Tutankhamon foram construídos em uma área de 23.000 m², além de outros 27.000 m² de área. Isso significa que a primeira fase será em uma área de 50.000 metros quadrados do total de 117 feddans alocados para o projeto. A área restante incluirá hotéis, restaurantes e outras áreas de exposição.

Como o financiamento para o Grand Egyptian Museum foi garantido?
A administração do museu, em cooperação com os Ministérios de Relações Exteriores e Cooperação Internacional, conseguiu obter outro empréstimo do Japão no valor de US $ 450 milhões em 2016, além do primeiro empréstimo no valor de US $ 300 milhões. A Autoridade de Engenharia das Forças Armadas também contribuiu para racionar os gastos para superar os desafios da inflação e a flutuação da libra. O custo de construção não aumentou apesar da inflação, pois utilizamos materiais locais em vez de materiais importados.

Explique melhor como você conseguiu superar o problema de financiamento após a flutuação?
Usamos materiais locais de alta qualidade. Algumas das paredes do museu serão cobertas com mármore local para dar a sensação de luz solar, com a mesma qualidade de materiais importados. Isso economizou muitas despesas, chegando a vários milhões de dólares.

Por que a administração do museu não usou materiais locais desde o começo?
Quando as autoridades egípcias lançaram o projeto em 2002, a situação econômica era diferente e o fluxo turístico era grande. No entanto, quando começamos a implementar a primeira fase, enfrentamos um déficit orçamentário. Portanto, usamos alternativas locais adequadas para reduzir os gastos sem afetar o projeto do edifício.

Como o museu fará parte da área das pirâmides?
Atualmente, estamos trabalhando em um plano para desenvolver a Praça El Remaya em cooperação com os Ministérios do Planejamento, Turismo, Antiguidades, Interior e Transportes. O plano visa expandir a Estrada do Deserto Cairo-Alexandria ao lado do Grande Museu Egípcio. A autoridade de desenvolvimento local realocará uma parada de ônibus para outra área longe do museu, para que os ônibus possam deixar visitantes no museu e depois retornarem à sua parada.

E quanto à nova estação de metrô planejada para a área?
Estamos coordenando com a Autoridade Nacional de Túneis a abertura da estação de metrô Grand Egyptian Museum para servir os egípcios que desejam visitar o museu e reduzir o congestionamento do tráfego.

Fonte:

quinta-feira, 11 de janeiro de 2018

Destrancando a "Cidade Perdida das Pirâmides" e outros mistérios de Gizé

Mais de 4.000 anos desde que as pirâmides de Gizé foram construídas no Egito e os arqueólogos ainda estão descobrindo novos mistérios desse antigo e sedutor local.

Os egiptólogos Mark Lehner e Zahi Hawass dedicaram suas carreiras à estudar esse local. Lehner é presidente da Ancient Egypt Research Associates, enquanto Hawass era anteriormente secretário-geral do Conselho Supremo de Antiguidades e Ministro de Estado para Antiguidades do Egito. Entre eles, eles têm mais de 80 anos de experiência sobre o platô de Gizé.
Só levou uma fração disso para construir a própria Grande Pirâmide.
Juntos, eles lançaram agora "Gizé e as Pirâmides" (Tamisa e Hudson), um novo e impressionante livro detalhando o que eles, seus contemporâneos e seus predecessores aprenderam sobre Gizé. É um projeto que está em obras desde 1986, e escrito, revisado e revisado pelo par desde 1993.
A CNN pediu a Lehner para refletir sobre sua carreira e o longo caminho para a publicação.

A seguinte entrevista foi editada por comprimento e clareza.
Mark Lehner: Zahi é um dos meus amigos mais velhos. Eu o conheci em 1974. Podemos trabalhar juntos porque não divergemos tanto, mas em questões particulares e questões específicas Zahi tem uma opinião favorita e eu tenho outra. Mas isso é perfeito para o curso de bolsa de estudos. Não é como um republicano e um democrata falando sobre o que a economia dos EUA deveria ser.

Mark Lehner.

O meu projeto foi projetado para mapear a Grande Esfinge, pedra por pedra. Ninguém tinha feito isso antes. A Esfinge foi a chave que levou a um entendimento mais amplo de todo o planalto de Gizé, porque é feito diretamente da rocha. É como um testemunho das camadas no revestimento geológico do planalto.
Zahi e eu ainda nos perguntamos se alguma coisa pode estar sob a Esfinge. Minha carreira começou desde o ponto de vista de (New Ageist) Edgar Cayce. Zahi sabia disso, e minha transformação mental era concomitante com minha crescente amizade com ele. O povo Edgar Cayce teve essa ideia de que haveria um Hall of Records sob a Esfinge: um cofre contendo os registros da Atlântida e a história antiga desconhecida da época em que todos os New Ageists dizem que as pirâmides foram realmente feitas. Pego o Hall of Records metaforicamente agora. Vamos voltar para a Esfinge nos próximos meses. Seria muito bom encontrar o que há antes de nossas carreiras terminarem.

Para entender as pirâmides, você tem que virar as costas para elas. Estes são monumentos muito humanos - acho que é isso que gostaríamos que os leitores tirassem. Você pode ver a mão humana em todos os lugares; nas marcas do cinzel, onde a pedra não se deteriorou; dentro e fora das pedras da Grande Pirâmide. Onde estão todas as pessoas? Onde está toda a infra-estrutura? O que nos diz sobre como se organizaram?
Muito mudou desde que começamos. É praticamente o benefício da posteridade que levou tanto tempo para escrever o livro. Quando começamos, ainda não encontramos o que podemos chamar de Cidade Perdida das Pirâmides. Tivemos uma idéia de que estava lá fora - ao sul da Esfinge, e ao sul deste gigantesco muro de pedra. que era como uma baleia meio emergida - mas não a achamos.
O que estamos lidando é realmente uma cidade portuária maciça de seu tempo - a Cidade Perdida. Importava cedro do Líbano e granito de Aswan, a 600 quilômetros do sul. O pouco que está faltando é a verdadeira magnitude - acho que foi provavelmente como Versailles e depois alguns. Mas agora a área está coberta de metrópole moderna e provavelmente não é possível.

O que realmente soprou nossas mentes foi a descoberta do Wadi al-Jarf Papyri. Estes papiros, descobertos pelo nosso colega francês Pierre Tallet, perto do Mar Vermelho (em 2011-2013, com uma tradução publicada em 2017), contêm um diário de bordo virtual de um homem chamado Merer, que estava entregando pedras das pedreiras orientais para a Pirâmide de Khufu. São documentos incríveis que iluminam as vias navegáveis. Assim como nosso livro estava ficando adormecido, eu comecei a reconstruir um modelo da infra-estrutura de transporte aquático; como eles usam o aumento de sete metros do Nilo a cada verão para cair como um elevador hidráulico para entregar pedras às pirâmides. Essa é uma história interessante por direito próprio, que merece seu próprio livro.
Eu tenho caixas e caixas de pastas de arquivos cheias de teorias egípcias "alternativas". É incrível quantas propostas Zahi e eu recebemos. Tudo desde que a pirâmide é um modelo de molécula até que ela é um modelo da orelha humana. Qual é o meu favorito? Penso que provavelmente a Grande Pirâmide é uma bomba hidráulica de algum tipo. Há um livreto publicado chamado Bomba de Kunkel, mas há outros que não estão cientes disso e pensam que eles vieram com ele de forma independente. Penso que é legal e é preciso uma visão mecânica popular da pirâmide, mas apagando-a totalmente do conhecido contexto cultural / religioso / antropológico. É uma espécie de uso divertido.
"Não estamos procurando por coisas, estamos à procura de informações". Esse é o lema que tentamos ensinar aos jovens arqueólogos das escolas de campo Ancient Egypt Research Associates. É preciso uma equipe internacional. E multi-interdisciplinar. Usamos botânicos, zoologistas, especialistas em cerâmica para olhar a cerâmica e obter toda a informação que podemos, em vez de apenas procurar objetos e arquitetura agradáveis.
Eu acho que a prova é algo para lógica e matemática. O melhor que podemos fazer é estabelecer probabilidades em nosso campo, especialmente quando tentamos reconstruir o que estava acontecendo há 4.500 anos atrás.

Texto de Tom Page, CNN.

Fonte:
http://edition.cnn.com/2017/11/29/africa/giza-and-the-pyramids-mark-lehner-zahi-hawass/index.html

segunda-feira, 26 de junho de 2017

Você conhece Kara Cooney?

Eu adoooooro o trabalho da Kara Cooney! 

Vocês sabem quem ela é?

Kara Cooney é professora de arte e arquitetura egípcia, além de presidente do Department of Near Eastern Language and Cultures. Suas realizações incluem a produção da série de televisão arqueológica "Out of Egypt" no Discovery Channel, atuando como co-curadora de "Tutancâmon e a Era de Ouro dos Faraós" no Los Angeles County Museum of Art e escrevendo “The Woman Who Would Be King: Hatshepsut’s Rise to Power in Ancient Egypt”. Além de ensinar na UCLA e escrever livros, Cooney faz pesquisas e trabalhos arqueológicos, principalmente com caixões.
Ela ainda tem uma página no Facebook, na qual compartilha artigos sobre uma variedade de assuntos, não se limitando apenas à egiptologia.

(Crédito à Mikel Healey e ao The Daily Bruin Quad)


Em uma entrevista concedida à Michelle Lin do The Daily Bruin Quad, Kara foi questionada por seu interesse no campo da egiptologia e sua resposta não poderia ser melhor:

"Não há resposta para essa pergunta. Nenhum historiador ou arqueólogo antigo jamais perguntaria a outro, porque eles sabem que a resposta é emocional e não pode ser dada. Nós somos estranhos e tocados por algo que não podemos sequer nomear a nós mesmos, e não temos idéia do porquê. Nós só gostamos de pessoas mortas. É confuso mesmo para mim, por que eu faço isso e por que eu olho para o mundo ao meu redor através de uma lente de coisas que aconteceram há milhares de anos atrás, mas eu faço e que me ajuda a ver as coisas ao meu redor de uma forma mais esclarecida." 

Questionada sobre qual é a sua mulher preferida em posição de poder nos tempos antigos, Kara disse:

"É difícil. Nos tempos antigos eu teria que dizer Hatshepsut. Eu escrevi um livro sobre ela. Mas é uma estreita ligação entre Hatshepsut e Cleópatra, porque Hatshepsut fez tudo certo e os homens depois dela tomaram o crédito por tudo o que ela fez direito, e ninguém sabe o seu nome. Mas Cleópatra realmente agarrou seu poder com ambas as mãos sem qualquer vergonha, e se não tivesse sido por uma batalha naval que ela arriscou tudo e perdeu, nós a lembraríamos de forma diferente porque ela era bastante corajosa." 

Para conferir a entrevista em inglês, acesse o link abaixo:

segunda-feira, 12 de dezembro de 2016

Para conhecer mais: uma brasileira no Egito

Gislaine é brasileira e uma das donas da loja virtual de produtos egípcios Brasgypt. Porém o que vocês não sabem é que ela mora na cidade de Alexandria, no Egito. E hoje o nosso bate-papo é com ela! Vamos saber mais como foi essa transição Brasil/Egito e um pouquinho dos costumes atuais de lá.

Egito – fascínio de uma civilização: Gislaine, conta para a gente como se deu essa transição Brasil/ Egito. Você já sentia admiração pelo Antigo Egito antes de pensar em se mudar para o Egito? E como foi a sua adaptação?
Gislaine.: Bom, no começo eu era novinha e só era fascinada pelas séries de tv, como a famosa novela “Pelos Poderes de Ísis”, não sei se alguém aqui se lembra. Com o tempo, eu conheci um egipiciano que me fascinou e encantou e assim que me conheceu, me pediu em casamento, igual as historias de sonhos que você ouvia quando criança. E eu também me encantei com ele e aceitei... esse foi o motivo principal da minha mudança do Brasil para o Egito: me casei.
Quanto à adaptação, não foi muito radical aqui. Assim que cheguei todos os egipicianos e familiares eram muitos gentis e simpáticos, é um povo muito aconchegante, a cultura que mais me fascinava pelo respeito com os idosos e mulheres e o principal, a famílias eram muitos unidas.

Egito – fascínio de uma civilização: E qual idioma você usa para se comunicar no Egito? Como foi para você aprender o árabe?
Gislaine.: Bom, no começo foi meio difícil pois a diferença é muito grande entre o idioma latino e o árabe, no começo me comunicava falando o inglês e tudo perguntava o que significava em árabe, e como o meu sogro falava, eu colocava tudo no meu computador, quer dizer na memória... com a convivência aprendi muito, o árabe é difícil porque tem muitas palavras que significam muitas coisas dependendo do lugar dela na frase, mas agora falo muito bem o árabe e escrevo também.

Egito – fascínio de uma civilização: Sendo mulher, como é para uma brasileira morar no Egito, há algum tipo de preconceito?  E quais os tipos de empregos que as mulheres mais procuram no Egito?
Gislaine.: Preconceito não tem, porque aqui eles adoram estrangeiras, mas você tem que respeitar a cultura deles. Aqui, agora, tem muitas brasileiras que vem através da Internet e grupos do Facebook conhecer egípcios e algumas se dão bem em casar, mas também tem os que exploram.
Quanto ao emprego acho que cada um vem de acordo com a sua carreira, elas sempre procuram em locais de Internet, no ramo do Spa, cabelereira, inclusive tem um Salão de Beleza “katameya” aqui no Cairo de uma brasileira.

Egito – fascínio de uma civilização: Eu já li que no Egito atual a segurança é maior que no Brasil, ou seja, andar nas ruas do Egito é mais seguro do que andar nas ruas do Brasil, com os atuais índices de violência que temos. Você concorda com isso?
Gislaine.: Bom, a segurança no Brasil faz tempo que não tenho noticias, mas aqui da pra você andar na rua meia-noite sem ser atacada, mas tem registros de assaltos e roubos, afinal de contas o crime esta em todo o lugar no mundo.

Egito – fascínio de uma civilização: Do que você mais sente falta no Brasil que não encontra no Egito? E no que o Egito te conquistou?
Gislaine.: Bem, o que mais sinto falta é da minha família que deixei lá, e também do bom feijãozinho preto e da nossa querida farinha de mandioca, o resto da pra improvisar.
E o que me conquistou foi a união entre os amigos e familiares, aqui sempre ajudam um ao outro com fidelidade.

Egito – fascínio de uma civilização: Falando no nosso feijão preto e farinha de mandioca, conte-nos um pouco sobre os costumes culinários do Egito? Você se adaptou facilmente?
Gislaine.: Bom, os pratos aqui são diversos e bem temperados com alho, condimentos e muita manteiga, que aqui se chama “samina”, tem um prato que adoro que se chama “molokhia” e é feito de caldo de galinha com um tipo de folhinhas verdes trituradas e alho frito. Foi um pouco difícil porque os temperos aqui são fortes, mas agora não vivo sem eles.

Egito – fascínio de uma civilização: Quais são as atividades de lazer que os egípcios mais fazem?
Gislaine.: Bem, as atividades são ir ao parque, ao cinema, passear na rua “Cornish”, e andar de “fuluka”, quer dizer barcos no Rio Nilo, passear com amigos e familiares...

Egito – fascínio de uma civilização: Eu quero muito andar de “fuluka” aí, Gislaine rsrs, mas continuando, quais pontos turísticos você mais admira?
Gislaine.: São as pirâmides é claro, Cidatel no Cairo, o Vale dos Reis, o Templo de  Hatshepsut, em Luxor, e finalmente em Alexandria, temos O Castelo de Montaza que era do Rei Farouk, O Pilar de Pompeu, o Castelo de Qaitbay, o Teatro Romano e a famosa biblioteca de Alexandria.

Egito – fascínio de uma civilização: Essas foram ótimas dicas de pontos turísticos! Gislaine, gostaria de agradecer sua participação no Blog, que com certeza deu mais vontade de conhecer o Egito. Agora, para finalizar, qual dica você dá para os brasileiros que querem morar no Egito?
Gislaine.: Primeiro, você vai mudar a sua vida radicalmente, esteja preparado, nem tudo que se faz no Brasil você pode fazer aqui, não poderá ir a praia de biquíni e nem andar de short pela rua, etc rsrs. Aqui eles gostam muito de respeito como antigamente no Brasil, são muito conservadores na cultura, não tem álcool pra vender em todo lugar e a famosa cervejinha do sábado você pode esquecer, assim como as baladas todos os finais de semana. Se você vem a procura de aventuras e de conhecer uma cultura perdida no tempo, venha e aproveite! Se vem a procura de amor, os egipicianos são bem românticos, mas cuidado para não cair em armadilhas, nem todo gato é preto...

Gislaine – Natural de Curitiba, Paraná – Brasil – atualmente mora em Alexandria, no Egito e é uma das donas da loja virtual Brasgypt de produtos importados do Egito.
Site da loja:


segunda-feira, 1 de agosto de 2016

Fatos do Egito Antigo que o tornam mais interessante que Grécia e Roma



Recentemente, li uma entrevista que gostei muito de Luís Manuel de Araújo e por isso, gostaria de compartilhar com vocês os pensamentos desse egiptólogo português.

Na entrevista concedida, ele fala sobre o quanto os gregos admiravam o Egito, sendo que o próprio Egito em sua total glória já estava decadente. Os romanos também tinham fascínio pela civilização egípcia, tanto que mantiveram o turismo ativo na região. E tantas pessoas tem admiração pelo Egito Antigo porque reconhecem que nossas origens não estão na Grécia ou em Roma, pois o Egito já tinha um passado de 3.000 anos antes do passado greco-romano que tanto estudamos.

De acordo com o egiptólogo, falta mistério e legado arquitetônico à civilização grega para se aproximar da egípcia:


"No Egipto, a descoberta de um túmulo carregado de riquezas galvaniza as pessoas, que sentem intuitivamente que aquilo é da humanidade."


Outro fato que o egiptólogo cita que aproxima a civilização moderna da civilização egípcia é a crença no paraíso após a morte. Os gregos, por exemplo, focavam seus trabalhos no equilíbrio de formas e no humanismo, já os egípcios (sem serem escravos) arrastavam pedras aos sons de hinos, tudo para o cuidado com a vida após a morte, legando-nos essa crença. 


"Então a agricultura não se renova sempre e o sol não nasce e morre todos os dias? A vida é um constante morrer e renascer. Chega-se à ideia de que tudo volta à vida. Por que não o Homem?"


No Egito Antigo também, a crença mostra-nos que o paraíso não é para todos, mas somente para as pessoas justas e solidárias, provindo o conceito de ética. Os cristãos também estão bem próximos dos egípcios, visto que eles também tinham um Deus que ressuscitou (Jesus para os cristãos e Osíris para os egípcios). 


"As pirâmides foram feitas com base na ideia da “maet”."


A civilização moderna também luta por condições mais justas às mulheres. Muitos lugares do mundo já mostram uma crescente valorização, entretanto, outros...


"O Egipto tem pela mulher, pela mulher que faz parte da História, que aparece na arte, que tem túmulos (...) um apreço, uma veneração, um respeito muito superior a muitas mulheres dos países vizinhos e àquela que é a situação da mulher em muitos países actuais da região."



"E ao contrário de outras religiões em que o homem é criado primeiro, no Egipto o homem e a mulher são criados ao mesmo tempo."


Depois dessa, só tenho a dizer que sou fã desse egiptólogo.
(Aplausos)

Confira a entrevista na íntegra abaixo, vale a pena:



domingo, 24 de abril de 2016

Entrevista de hoje: Val, administradora do grupo Egito Sempre!

Tem um grupo de admiradores do Antigo Egito no Facebook que é um dos mais acolhedores que eu já conheci. A administradora do grupo é a Valdirene. Todos os dias ela posta com muito carinho algo relacionado ao Egito Antigo, além de receber muito bem os novos membros e compartilhar postagens interessantes sobre o tema. Para trazer o Egito mais perto de nós, ela também conseguiu criar a Brasgypt, uma loja virtual com artigos importados do Egito. E hoje, a entrevista é com ela!!!


Egito – fascínio de uma civilização: Val, a primeira pergunta não poderia deixar de ser como surgiu o seu interesse pelo Antigo Egito. Você se lembra da idade que tinha quando o gosto pelo Antigo Egito foi despertado? Alguma pessoa te influenciou?

Val.: É com muito prazer e o coração cheio de alegria que participo dessa entrevista! Para mim é uma satisfação falar do Egito, pois me deixa mais perto do que amo!!! Agradeço a você Querida “Ni Fertiti” pelo carinho e interesse em divulgar uma das mais excepcionais civilizações do mundo! A Egípcia!
O Egito surgiu em minha vida de uma forma mágica...Eu nunca tive contato até então com algo relacionado ao Egito.
Aos 6 anos de idade eu tive um sonho...que jamais saiu da minha memória....Eu sonhei eu estava às margens de um rio caudaloso, imenso, lindo...e seu encanto me fez tocá-lo...quando toquei o Rio, acordei...e sentia ainda a sensação que aquele toque deixou em minhas mãos...e com certeza em minha alma...
Duas semanas depois, estava vendo TV e na antiga TV CULTURA, estava passando um documentário sobre um tal de RIO NILO J! E acreditem...em uma das imagens, apareceu o lugar onde eu estive em meu sonho...(hoje eu sei que é na atual região da Vila dos Núbios)..eu chamei minha mãe e disse: “mãe, estava passeando ai..., olha”. Minha mãe não entendeu nada...
A partir daí começou minha busca para entender o que era RIO NILO...e me envolvi nessa viagem mágica até hoje!!!! 


Egito – fascínio de uma civilização: Val, quem te conhece pelas redes sociais sabe que você conseguiu realizar o sonho de viajar para o Egito. Conta para a gente um pouquinho da sua experiência. Gostaríamos de saber também os lugares que você mais gostou e por que.

Val.: Ahhh...sim...esse era meu grande sonho... o alimentei por anos...a vida sempre tem suas prioridades que às vezes nos afastam dos nossos sonhos, mas ele esteve sempre lá... Para mim eu sabia que um dia eu iria, poderia demorar, mas eu tinha que realizar esse sonho!!!!  E ele aconteceu..em 2010...fiz economias por 2 anos, cortei tudo o que podia, e sempre que achava difícil ficar sem alguma coisa, eu lembrava que estar sem alguma coisa poderia me aproximar do meu sonho maior...estar na Terra dos faraós...
E quando eu cheguei lá, nem eu acreditava..era mágico, fascinante..parecia que estava dentro dos livros de história, dos recortes de jornais que eu colecionava, das lembrancinhas que meus amigos que já tinham indo me trouxeram de lá...
E o primeiro lugar que fui foi para a região dos Núbios, sem eu saber, e enfim pude tocar as águas do Rio Nilo pela primeira vez, como nos meus sonhos.
Consegui fazer uma viagem pra conhecer o Egito de Norte a Sul...de Abu Simbel a Alexandria...
É difícil dizer o que mais gostei, pois o Egito é lindo em qualquer lugar, sua essência é maravilhosa, seu povo, sua gente sempre com imensas dificuldades conservam um sorriso que só vi nesse lugar do mundo...
Você olha para um cidadão Egípcio e vem á sua cabeça...essa pessoa tem o DNA faraônico...de alguma forma ela faz parte dos alicerces do nosso mundo...
Conheci vários lugares..e cada um tem sua beleza...Abu Simbel, o monumento que guarda a história de poder a amor de Ramsés e Nefertari, Luxor, a antiga Tebas com  seus Templos Majestosos e seu magnífico Vale dos Reis que até hoje deve conter tesouros soterrados pelas areias do deserto... A Vila dos Núbios, um lugar singular, com pessoas ricas de espírito..e a simplicidade ali torna-se latente...e bela...
O Cairo com suas Pirâmides majestosas e sua guardiã a Esfinge....e o Cairo metrópole
O Cruzeiro pelo Nilo que é a melhor forma de visitar o maior número de Templos....


Egito – fascínio de uma civilização: Você falou sobre guardar recortes de jornal com o tema Egito Antigo, eu fazia a mesma coisa, Val!
E como surgiu a idéia de criar o grupo Egito Sempre no Facebook? Como foi a escolha do nome do grupo e o que de bom esse grupo te trouxe?

Val.: Bem...eu na época do Orkut tinha uma comunidade sobre o Egito...onde fiz alguns amigos, mas era muito pequena....depois veio o Facebook....ai criei o grupo pois eu cansei de ouvir meus amigos daqui perguntando porque eu só postava coisas de felinos ou Egito.
Essa critica me ajudou demais, pois eu amo falar do Egito e as pessoas não entendiam isso...ai tive a idéia de fazer um grupo pra poder dividir isso com pessoas iguais a mim...que amassem o Egito e não se importassem se eu postasse tudo sobre Egito...
E o nome também foi dessa crítica....Sempre me diziam...” A Val só fala de Egito, sempre!!”
E também porque EGITO SEMPRE represente que o Egito sempre esteve presente em minha vida!!!
E foi uma das melhores coisas que já fiz, pois foi através desse grupo que aumentei meu  circulo de amizades..vi que não era somente eu que era apaixonada pelo Egito e que se eu postasse somente coisas do Egito, não iria incomodar, pelo contrário, iria agradar!!!


Egito – fascínio de uma civilização: Eu também, Val, se puder só falo de Egito... SEMPRE! Rsrs. Mas Val, e qual o modo que você encontrou de ficar mais perto do Antigo Egito na correria do dia a dia, sem contar com o grupo (rs)?

Val.: Depois de escrever tudo isso vocês  vão literalmente me chamar de egiptomaníaca....
Minha casa parece o museu do Cairo, rssss! Tenho em minha estante presente de amigos do Egito, coisas que trouxe de lá, quadros com papiros, meu chaveiro é do Egito, meu espelho de bolsa é do Egito...minha bolsa também..sempre procuro usar acessórios de lá, qdo vou a festas a fantasia..tem que ser algo relacionado ao Egito e até meu marido agora está assim...!!!


Egito – fascínio de uma civilização: Isso é uma característica acho que de 90% das pessoas que visitam esse blog, todos tem pelo menos um cantinho reservado ao Antigo Egito. E eu também não sou diferente! Rsrs
Vamos entrar agora nas questões mais polêmicas, Val: as peças egípcias que estão nos museus de outros países deveriam voltar ao Egito?

Val.: Com certeza. Para mim nunca deveriam ter sido retiradas de lá..elas deveriam ficar no lugar onde foram encontradas, em seu ambiente natural ou no máximo no museu do Cairo e o país que a encontrou receber uma porcentagem dos ingressos, assim todos ganhariam inclusive nós, amantes do Egito que estaríamos vendo as relíquias em seu verdadeiro local.


Egito – fascínio de uma civilização: E qual o método ou métodos que você mais aceita sobre a construção das pirâmides?

Val.: Esse é um tema bem polêmico pois dependendo do método acaba envolvendo fé e religião. Eu já vi muitas teorias, mas todas vão por água abaixo quando você se depara frente a frente com as pirâmides. Olhando para elas, você tem a absoluta certeza que não foi o homem sozinho que as construíram...mesmo levando anos e anos. Pois se fosse o homem sozinho hoje em dia com todos os maquinários, poderíamos fazer pirâmides até maiores, mas cadê? Nunca mais foram feitas.
Eu li um documento uma vez que encontrei por acaso na net que se chama: O documento perdido.
Esse documento fala da evolução da humanidade e suas hierarquias. E que nos tempos remotos, os habitantes tinham conhecimentos que hoje nos foram tirados, pois não foram usados devidamente. Fala que nosso planeta é assistido por seres mais evoluídos que nos transmitiram esses conhecimentos, tais como: propulsão reversa envolvendo a força da mente ( base para mover grandes blocos de pedras ou outros movimentos).
Esse documento é fantástico... pode parecer loucura, mas para mim é o mais provável...


Egito – fascínio de uma civilização: É Val, como eu já disse aqui no blog, “há mais coisas entre o céu e a terra do que pressupõe nossa vã filosofia”, e as pirâmides estão aí para provar isso. Val, aqui no blog, você sabe que eu adoro divulgar filmes, desenhos e seriados relacionados ao Antigo Egito. Conta para a gente quais os seus favoritos e que recomenda aos egiptomaníacos.

Val.: Bom muitos não conhecem, mas láááá no passado o seriado: O segredo de Ísis foi que me conquistou...assistia a todos os capítulos...Hoje eles existem somente no You Tube.
Amo o canal History e também agora Discovery Civilization, esse ultimo eu não tenho na TV fechada mas você pode acompanhar as maravilhosas séries pelo You Tube. São temas e pesquisas atuais.


Egito – fascínio de uma civilização: Esse seriado “O segredo de Ísis” eu não conhecia, até um dia encontrá-lo por “coincidência” (rsrs) no You Tube, o que fez com que eu me achasse desatualizada por nunca tê-lo assistido rs. E sobre os livros que tratam do tema Antigo Egito, quais foram os que você mais gostou?

Val.: O livro que mais me marcou foi na verdade uma trilogia... “Memórias de Cleópatra” de Margaret George, que conta a vida de Cleópatra da infância até sua morte, em 3 belíssimos volumes.
E outro que estou lendo atualmente: Aurora Egípcia de Robert Temple que desmistifica de vez todos os mitos que aprendemos até hoje sobre o Egito. 


Egito – fascínio de uma civilização: O livro “Memórias de Cleópatra” também foi um clássico para mim e o livro “Aurora Egípcia”, ainda não postei sobre ele no blog, mas o acho interessantíssimo e fascinante. Agora Val, vamos viajar no tempo, alguém te deu a oportunidade de visitar 3 épocas do Antigo Egito, em ordem de prioridade, quais você escolheria visitar? E quais faraós, rainhas ou personalidades egípcias gostaria de conhecer nessa viagem?

Val.: Nossa isso seria grandioso!!! Já começo a viajar em pensamento....Bom em primeiro lugar desejaria ir lá para o início de tudo....para saber realmente entre tantas suposições de onde os Egípcios vieram realmente....depois  conhecer a vida do meu faraó preferido: Akhenaton e ver pessoalmente todo o grande conhecimento que ele deixou para o antigo Egito, aprender a fundo mesmo seu legado...e por ultimo conviver com o grande ícone feminino...Cleópatra, ah e se pudesse também fazer mais um...conviver com os Núbios!!! (já estou querendo demais  né? Mas esses seriam meus desejos!!


Egito – fascínio de uma civilização: Isso foi bem interessante, você, eu e o Lucas Ferreira (confira a entrevista dele aqui) temos o mesmo interesse de visitar o Egito bem antes da Unificação do Alto e Baixo Egito. Considerando agora as personalidades que colaboraram ou colaboram nas descobertas do Antigo Egito (Howard Carter, Belzoni, Champollion, Omn Sety, Zahi Hawass, etc), quem você gostaria de ter conhecido/conhecer?

Val.: Sei que cada um teve sua importância na História do nosso Egito, mas um sonho que tenho e que prometi a mim mesmo realizar é um dia poder cumprimentar o Faraó da Atualidade: Dr. Zahi Hawass. Sonho com esse dia.
Já ouvi muitos falarem coisas dele, umas boas outras nem tanto (talvez por interesses políticos), mas em minha opinião ele foi e é de grande importância para a história do Egito!!!


Egito – fascínio de uma civilização: Val, você já viajou para outros lugares do mundo, mas qual a característica mais fascinante do Egito que nunca a faz se sentir cansada de lá?

Val.: Isso é o que sempre falo...Sempre que traço um destino para viajar, meu coração pende para o Egito. Pois lá você encontra tudo em um só lugar e a aura de mistério e fascínio você não encontra em nenhum outro lugar do mundo.  No Egito nos sentimos grandiosos por estar lado a lado da história do mundo e ao mesmo tempo pequenos diante de tanta grandeza..é algo único...quando você caminha nas ruas do Cairo, você consegue imaginar como seria no passado...a gentileza do seu povo...seus Templos cheios de energia...sua natureza exuberante, representada pelo Rio Nilo e seu Deserto.....
O lugar mais próximo que encontrei de lá que senti quase as mesmas coisas foi a Ilha de Páscoa.


Egito – fascínio de uma civilização: A Ilha de Páscoa não fica atrás em mistérios e fascínios também, né Val?! Agora, gostaria de agradecer Val, por compartilhar sua experiência enriquecedora sobre o Antigo Egito. Pessoal convido vocês à visitarem o Grupo da Val no Facebook e a Loja Brasgypt (links no final da entrevista). Para encerrar, Val, que mensagem você deixa para os leitores egiptomaníacos?

Val.: Deixo aqui meus parabéns a todos que compartilham dessa paixão...a todos que têm a sensibilidade de amar um lugar tão singular, tão rico de história. Sou daquelas pessoas que a cada imagem que vejo do Egito, meu coração bate mais forte e sei que cada um de vocês entende muito bem o que é isso.
Agradeço a todos por tornar essa caminhada de conhecimento a mais rica possível. Dividimos nossa paixão e engrandecemos nossas almas com o mais belo do Egito! Seus mistérios Milenares!
Um abraço faraônico e cheio de carinho à todos vocês!!!



Valdirene – Natural de Jundiaí – Administradora do Grupo Egito Sempre e uma das donas da Loja Virtual Brasgypt de produtos importados do Egito.

Site da loja:
https://www.facebook.com/Brasgypt-Importados-Eg%C3%ADpcios-933913369983876/?fref=ts